Aconteceu no Vaticano, nos dias 5 e 6 de julho um encontro do Papa Francisco e alguns Dicastérios com a Igreja Católica Ucraniana. Foram convidados para o encontro o Arcebispo Maior Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, os Metropolitas e os membros do Sínodo Permanente da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Foi um evento inusitado e único, que será um marco histórico e trará resultados significativos para a Igreja Católica Ucraniana e para toda a Igreja de Cristo. Dentre os Metropolitas, vindos de vários países, estava Dom Volodemer Koubetch, Arcebispo da Metropolita Católica Ucraniana São João Batista, com sede em Curitiba (PR).  

Dom Volodemer Koubetch cumprimenta o Papa Francisco

ACOMPANHAMENTO DO PAPA

O encontro do Papa com a cúpula da Igreja Católica Ucraniana já vinha sendo gestada há muito tempo. Não se trata somente de uma decisão emergencial, mas de algo que já estava profundamente no espírito de Jorge Mario Bergoglio desde os tempos quando era ainda seminarista. Mas é sobretudo como Pontífice que Bergoglio tomou sobre si a causa da Igreja na Ucrânia, como se pode constatar nos seguintes fatos: os contatos com a Igreja Católica Ucraniana na Argentina; a missão humanitária desejada pelo Papa na Ucrânia; a oração pela paz; as relações com a Ortodoxia; percursos respeitadores da legalidade internacional; fraternidade e amizade; o Cardeal Turkson na Ucrânia; encontros com a comunidade greco-católica ucraniana em Roma.

OBJETIVOS DO ENCONTRO

O encontro vinha sendo preparado há vários meses e foi anunciado oficialmente no dia 04 de maio de 2019, tendo como pano de fundo a dramática situação na Ucrânia, como assinalou o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, tendo mesmo como objetivo ser um “sinal de proximidade” solidariedade e auxílio do Papa à Igreja Greco-Católica Ucraniana atuante no país de origem e em outros países do mundo. Diz o comunicado:

“Na delicada e complexa situação em que se encontra a Ucrânia (…) o Santo Padre deseja dar um sinal da sua proximidade à Igreja Greco-Católica Ucraniana que realiza um importante serviço pastoral no país, assim como em vários lugares do mundo. Além disso, este encontro poderá oferecer uma ulterior ocasião para aprofundar a análise da vida e das necessidades da Ucrânia, com o objetivo de identificar como a Igreja Católica, e em particular a Igreja Greco-Católica, pode se dedicar com mais eficácia à pregação do Evangelho, contribuir ao apoio dos que sofrem e promover a paz, o acordo, no que for possível, com a Igreja Católica de rito latino e com as outras Igrejas e comunidades cristãs”.

TEMÁTICA DO ENCONTRO

Foram realizadas três sessões no dia 05 e duas no dia seguinte. O Papa esteve presente nas primeiras sessões de cada dia, presidindo e discursando na primeira sessão do dia 05. Focalizando a dramática problemática ucraniana em todos os seus aspectos sociais, políticos, religiosos, ecumênicos e humanitários.

PALAVRA DO PAPA DURANTE O ENCONTRO

Na Sala Bolonha, dia 05 de julho, na primeira sessão, recebendo o Arcebispo Maior, os Metropolitas e os Membros do Sínodo Permanente da Igreja Greco-Católica Ucraniana, o Santo Padre proferiu um longo discurso em que delineou com clareza a dramática situação bélica em que se encontra a Ucrânia, uma guerra que já vitimou cerca de 13.000 pessoas, e colocou no centro a questão da paz no país, o testemunho “vibrante” da Igreja feito através da oração e proximidade, especialmente para aqueles que sofrem, e a sinodalidade, que significa “caminhar juntos, com mansidão e docilidade”.

Como animação e recomendação teológica, eclesial e pastoral, o Santo Padre enfatizou o valor e a força da sinodalidade que, por natureza, é uma característica das Igrejas orientais que deve necessariamente levar à corresponsabilidade. “Não basta ter um sínodo, é necessário ser sínodo”, precisa se esforçar “em caminhar juntos, não somente com quem pensa do mesmo modo, mas com todos os crentes em Jesus”. A sinodalidade é um grande princípio eclesial, mas também uma prática pastoral importantíssima, que começa pelo ouvir, continua com o discernimento e se completa com o engajamento, também dos leigos.

O Papa concluiu seu discurso, desejando que esses dois dias de encontro “sejam momentos fortes de partilha, de escuta recíproca, de diálogo livre, sempre animados pela busca do bem, no espírito do Evangelho” e que “nos ajude a caminhar melhor juntos”, sublinhou. “Recomendo-lhes este espírito, este discernimento sobre o qual verificar-se: oração e vida espiritual, em primeiro lugar; depois proximidade, especialmente aos que sofrem; e por fim, sinodalidade, caminhar juntos, caminho aberto, com mansidão e docilidade”.

6. COMUNICADO DA SANTA SÉ

Finalizado o encontro na tarde do dia 06 de julho, e após ter sido debatido pelos participantes do encontro, a Santa Sé emitiu um comunicado oficial com o seguinte conteúdo:

“De 5 a 6 de julho de 2019, o Santo Padre Francisco presidiu uma reunião com o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, juntamente com os Metropolitas e Membros do Sínodo Permanente, e os Chefes dos competentes Dicastérios da Cúria Romana.

Com esta iniciativa, o Santo Padre quis expressar sua proximidade com a Igreja Católica Oriental sui iuris. Juntamente com seus colaboradores, o Papa Francisco tem apreciado a história desta Igreja, sua tradição espiritual, litúrgica, teológica e canônica, sua fidelidade à comunhão com o Sucessor de Pedro, confirmada e selada com o sangue dos mártires.

A reflexão ocorreu em escuta recíproca e foi acompanhada pela oração, buscando as condições necessárias para o desenvolvimento e florescimento desta Igreja no mundo de hoje.

Foi dada especial atenção ao trabalho pastoral, à evangelização, ao ecumenismo, à vocação específica da Igreja Greco-Católica no contexto dos desafios hodiernos na situação sócio-política, em particular da guerra e da crise humanitária na Ucrânia, bem como a seu serviço em vários Países do mundo.

Espera-se que esta metodologia de partilha possa continuar, a fim de promover o desenvolvimento harmonioso da Igreja Greco-Católica Ucraniana, bem como das outras Igrejas Católicas Orientais na sua identidade e missão”.

8. PALAVRAS FINAIS

O encontro da cúpula da Igreja Greco-Católica Ucraniana com o Papa Francisco e Chefes de alguns Dicastérios mais envolvidos com a questão ucraniana constituiu uma experiência única e cheia de significados, altamente promissora, que certamente ficará profundamente registrado na História da Igreja e principalmente na alma ucraniana.

O diálogo, a eclesialidade, a comunhão, a solidariedade e a sinodalidade ganharam vigor, animaram a Igreja Greco-Católica Ucraniana com seus líderes e fiéis, tantas vezes sofridos e martirizados em tempos passados e nos tempos hodiernos, e fortaleceram a Igreja como um todo – o Corpo de Cristo. Foi reavivada a fé. Foi acesa uma forte luz da esperança. Foram abertas mais portas e ainda maiores do amor e da caridade. Graças ao Papa Francisco!

O encontro abriu o caminho para uma nova metodologia de trabalho em conjunto, verdadeiramente sinodal, eclesial, que constrói a Igreja, que deve respirar plenamente com os dois pulmões, oriental e ocidental, curados e fortalecidos pela graça divina e pelo sábio discernimento de seus principais agentes, tornando-a mais eficaz na evangelização, santificação e libertação dos povos oprimidos e perseguidos – sinal visível do Reino.

Texto: Secretariado Metropolitano | Fotos: Serviço Fotográfico do Vaticano | Matéria completa

LITURGIA DIÁRIA

Últimos Posts