Como já se tornou tradição no Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os anos eleitorais são marcados pela publicação de uma cartilha de orientação política voltada à formação cidadã. Para as Eleições Gerais de 2026, o subsídio já está disponível e traz como tema “A Política Melhor e a Cultura do Encontro”, inspirado no legado do Papa Francisco e em sua compreensão da política como instrumento de promoção do bem comum e da dignidade humana. 

Destinada a eleitores, candidatos, lideranças, grupos e comunidades, a cartilha busca contribuir para a formação da consciência política dos cidadãos, incentivando uma participação responsável e consciente no processo democrático. Mais do que orientar sobre o ato de votar, o material convida à reflexão sobre a importância de fazer escolhas fundamentadas em valores éticos e de acompanhar o mandato dos representantes eleitos. 

Em mensagem de apresentação, o arcebispo de Londrina e presidente da CNBB Sul 2, Dom Geremias Steinmetz, destaca a importância da iniciativa: 

“Trata-se de uma contribuição importante que já se tornou uma tradição na Igreja Católica no Paraná. Nos anos eleitorais, desde 2008, oferecemos à sociedade um instrumento de reflexão e formação, ajudando as pessoas a compreenderem a importância da participação cidadã e a nobreza da política como serviço ao bem comum.” 

Baseada na Doutrina Social da Igreja e no Magistério da Igreja Católica, a cartilha mantém seu caráter apartidário. O subsídio não indica candidatos nem apoia partidos ou ideologias, mas oferece critérios éticos para auxiliar o discernimento dos eleitores. 

Segundo dom Geremias, a proposta está em sintonia com a missão evangelizadora da Igreja: “Essa iniciativa está em plena sintonia com a missão da Igreja, que busca iluminar a realidade social à luz do Evangelho, sem jamais interferir na liberdade de consciência e de escolha de cada cidadão”, afirmou.  

Dom Geremias também reforça que a identidade cristã e a cidadania caminham juntas: “Ser cristão e ser cidadão são realidades inseparáveis”. 

A partir dessa compreensão, a cartilha recorda que a missão da Igreja inclui a defesa da vida humana em todas as suas etapas e circunstâncias, bem como a promoção de condições dignas de existência para todos. Nesse contexto, a política, entendida como serviço, é apresentada como um caminho legítimo para garantir direitos fundamentais como moradia, trabalho, saúde, educação e segurança. 

No vídeo, dom Geremias apresenta a Cartilha e pede que ela seja um instrumento para ajudar os cidadãos a refletirem sobre a importância desse momento que o Brasil viverá e a participar dele com seriedade, sabedoria e responsabilidade, sempre iluminados pelos valores mais nobres do Evangelho.  

Uma tradição iniciada em 2008 

A publicação das cartilhas de orientação política pelo Regional Sul 2 teve início em 2008, mas sua origem remonta às eleições de 2006, quando a CNBB Nacional publicou o Documento 82: “Eleições 2006 – Orientações da CNBB”. Na apresentação daquele documento, assinada pelo então secretário-geral da Conferência, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, havia um incentivo explícito para que as Igrejas locais produzissem materiais adaptados às suas realidades. 

“As presentes orientações também poderão inspirar a elaboração de textos mais breves e cartilhas apropriadas às diversas realidades locais do Brasil”, afirmava o texto. 

A partir dessa orientação, em 2007, na Assembleia Regional dos Bispos do Paraná, o episcopado aprovou a proposta de produzir uma cartilha própria. Em 2008, ano das eleições municipais, foi lançada a primeira edição, com o tema: “Voto tem preço? Voto não tem preço. Voto tem consequências”. 

Desde então, o material passou a ser publicado em todos os anos eleitorais, sempre com uma linguagem simples, acessível e ilustrada, buscando apresentar conceitos básicos sobre política e democracia, valorizando a dimensão positiva e essencial da atividade política para a vida em sociedade. 

Cartilha de 2026 

A edição de 2026 foi elaborada por uma comissão técnica e de reflexão composta por bispos, especialistas em teologia, comunicação, direito, democracia e pelo assessor de relações institucionais e governamentais da CNBB. 

A revisão técnica e jurídica contou com a colaboração do professor doutor Rogério Carlos Born, que atuou por muitos anos como servidor do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e participa da revisão das cartilhas desde 2012, assegurando a atualização e a correção das informações relacionadas à legislação eleitoral. 

Com 24 páginas e totalmente ilustrada, a cartilha está organizada em três partes: 

PARTE 1 – Igreja Católica e Política 

A primeira parte aborda a relação histórica entre Igreja e política, apresentando os fundamentos da Doutrina Social da Igreja, cuja origem é tradicionalmente associada à encíclica Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII em 1891. 

O texto destaca que a Igreja não pretende oferecer soluções técnicas para os problemas sociais, mas contribuir com princípios éticos inspirados no Evangelho: 

“Vale destacar que a Igreja não apresenta soluções técnicas para os problemas sociais, mas oferece princípios, valores e orientações morais voltadas à promoção da dignidade humana, da justiça, da solidariedade e do bem comum” (pág. 3).  

Também são aprofundados temas como a participação dos leigos na política, a Frente Parlamentar Católica, os riscos da propaganda eleitoral em espaços eclesiais, o discernimento cristão diante das propostas dos candidatos e a opção preferencial pelos pobres e excluídos. 

Outro destaque é a reflexão sobre o conceito de “política melhor”, desenvolvido pelo Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti. O pontífice recorda que a política deve estar a serviço do bem comum e da dignidade humana, sendo uma das mais elevadas formas de caridade. 

PARTE 2 – Eleições Gerais de 2026 

A segunda parte apresenta informações mais técnicas sobre o processo eleitoral brasileiro. São abordados temas como política, democracia, cidadania, funcionamento dos Poderes da República, sistema eleitoral, Ministério Público, Justiça Eleitoral, propaganda eleitoral, financiamento de campanha e as principais mudanças na legislação para as eleições de 2026. 

Além de explicar os cargos em disputa e suas atribuições, o capítulo busca oferecer aos leitores uma compreensão mais ampla sobre o funcionamento das instituições democráticas. 

PARTE 3 – A Política Melhor e a Cultura do Encontro 

A terceira parte desenvolve o tema central da cartilha. Inspirada nas reflexões do Papa Francisco, apresenta a cultura do encontro como um caminho de diálogo, respeito e construção de consensos. 

Nesse contexto, reforça-se a ideia de que adversários políticos não devem ser tratados como inimigos, mas como interlocutores com visões e propostas distintas sobre a realidade. 

A publicação também dedica espaço à reflexão sobre a chamada “teologia do domínio”, corrente presente em alguns grupos cristãos que defende a conquista e o controle das estruturas da sociedade por parte dos fiéis. 

Segundo a cartilha: “Do ponto de vista democrático, essa proposta apresenta riscos relevantes. A dominação de um grupo religioso sobre a vida pública pode enfraquecer o pluralismo, desrespeitar a diversidade de crenças e comprometer a laicidade do Estado” (pág. 18). 

O documento ainda aborda temas contemporâneos como a inteligência artificial nas eleições, a disseminação de fake news, a responsabilidade no compartilhamento de informações, economia, bem comum, cultura da vida e cuidado com a Casa Comum. 

A publicação conclui convidando os leitores a cultivarem uma visão esperançosa da política: “Olhar a política com esperança é também assumir responsabilidade, é participar, discernir, escolher com consciência e acreditar que, mesmo em meio às dificuldades, é possível construir uma política mais justa, fraterna e comprometida com a vida plena que Jesus veio oferecer a todos” (pág. 23). 

Ao final de cada uma das três partes, a cartilha apresenta perguntas para reflexão e diálogo em grupos, comunidades e pastorais. Além disso, haverá um material complementar de aprofundamento. A partir de 30 de julho, serão publicados podcasts semanais, sempre às quintas-feiras, com entrevistas de especialistas que aprofundarão os temas abordados na publicação. 

Coletiva de imprensa de lançamento 

Uma coletiva de imprensa marcará o lançamento oficial da Cartilha de Orientação Política 2026. Ela será realizada na Cúria da Arquidiocese de Curitiba, no próximo dia 07 de julho, às 10h30, com transmissão ao vivo pelo Youtube do Regional Sul 2 da CNBB. Nessa coletiva, estará presente o arcebispo de Londrina e presidente da CNBB Sul 2, dom Geremias Steinmetz, o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo, e o professor Rogério Born. Eles irão apresentar os objetivos da cartilha, falar sobre o papel da Igreja Católica nas eleições gerais de 2026 e atenderão às demandas da imprensa. 

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Karina de Carvalho Nadal – Jornalista da CNBB Sul 2

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