Ecônomos, advogados e colaboradores que atuam na administração eclesial participam, no Centro Marista Champagnat, em Curitiba (PR), do Simpósio de Evangelização e Gestão Eclesial, promovido pelo Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro começou na tarde desta segunda-feira, 22 de junho, e segue até quinta-feira, 25 de junho, reunindo cerca de 50 participantes para momentos de formação, oração e partilha de experiências.

A programação teve início com uma visita guiada à sede administrativa da Província Marista e ao Memorial Marista. A exposição “História da Educação Marista e do Ensino Congreganista” apresenta a trajetória da educação confessional desde o século XIV, evidenciando as raízes comuns de diferentes congregações de ensino e promovendo um diálogo com os desafios educacionais da atualidade.

O acervo reúne cadeiras, cadernos, modelos anatômicos, instrumentos científicos, mapas, fotografias e impressos, apresentados como fontes históricas capazes de revelar práticas pedagógicas, métodos de ensino, processos de formação de professores e construções curriculares ao longo dos séculos.

Na abertura oficial do simpósio, compuseram a mesa o padre Valdecir Badzinski, representando o Regional Sul 2 da CNBB; o ecônomo da arquidiocese de Curitiba, Silvio Wunsch; e Wellington Morais, representante da empresa ITA Gestão Eclesial, parceira na realização do evento.

Da esquerda: Silvio, Padre Valdecir e Wellington

Segundo Wellington Morais, a parceria surgiu com o objetivo de ampliar o alcance do tradicional Encontro dos Ecônomos, promovido anualmente pela CNBB Sul 2. “A parceria veio para somar e compartilhar conhecimento, não somente entre os colaboradores das dioceses, mas também com profissionais da Receita Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Conselho Regional de Contabilidade. Tudo isso contribui para o fortalecimento da administração e da gestão das dioceses do Paraná”, afirmou.

A conferência de abertura foi conduzida pelo padre Valdecir Badzinski, do clero da diocese de Guarapuava (PR), e pelo padre Márcio Fernando Mangoni, da diocese de Foz do Iguaçu (PR), que abordaram o tema “Ambiente Organizacional”.

Da esquerda: Padre Marcio, Padre Valdecir e Wellington

Padre Valdecir explicou que o ambiente organizacional é construído na relação entre instituição, gestores, colaboradores e destinatários da ação evangelizadora.

“Quando existe unidade de propósito, atenção e trabalho conjunto, cria-se um conjunto de ações que favorece tanto a instituição quanto aqueles que colaboram na realização da missão da Igreja”, destacou.

O sacerdote ressaltou que refletir sobre o ambiente organizacional é essencial para compreender que a evangelização acontece por meio da integração harmoniosa das diversas dimensões da vida eclesial.

“Isso contribui para uma Igreja mais efetiva, mais presente e mais cuidadosa, como dizia o Papa Francisco: uma Igreja que sai ao encontro, que cuida, que percebe a dor e o sofrimento, permanecendo próxima do seu povo”, afirmou.

Dom Peruzzo

No segundo dia do simpósio, as atividades começaram com a celebração da Eucaristia, presidida pelo arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo. Em seguida, o arcebispo ministrou a conferência sobre a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, documento que orienta a missão evangelizadora e a organização da Cúria Romana.

Ao refletir sobre o tema do encontro, dom Peruzzo destacou a necessidade de integrar evangelização e gestão eclesial.

“Não é possível evangelizar sem uma gestão competente. Os bens são escassos e, sem competência, eles se perdem, comprometendo a missão evangelizadora. Por outro lado, uma gestão que não seja evangelizadora perde a originalidade própria de quem segue Jesus Cristo. É preciso conjugar duas verdades: a verdade humana, feita de competência, e a verdade de Jesus Cristo, feita da Boa-Nova de Deus”, afirmou.

Dom Peruzzo também ressaltou a importância dos profissionais leigos na administração da Igreja.

“Há aspectos da vida civil que os leigos conhecem muito mais do que nós, eclesiásticos. Foram preparados, estudaram e vivem cotidianamente sua profissão. Em uma realidade marcada por contradições, é necessária habilidade, lucidez e compreensão para colocar a serviço da missão da Igreja tudo aquilo que uma administração correta pode proporcionar”, disse.

Importância da gestão patrimonial

Laudelino

Ainda no período da manhã, a segunda conferência do simpósio foi ministrada pelo professor Laudelino Jochem, que abordou o tema “Gestão Patrimonial na Igreja”. Durante sua exposição, ele destacou a importância das instituições religiosas conhecerem e organizarem adequadamente seu patrimônio.

Segundo o professor, é comum que bens e patrimônios não estejam registrados na contabilidade ou estejam contabilizados com valores desatualizados, o que pode dificultar a gestão e a tomada de decisões.

“Percebemos que, no dia a dia, muitos bens não estão registrados contabilmente e, quando estão, nem sempre refletem seu valor real. Apresentamos caminhos para criar mecanismos de controle, reconhecer adequadamente esses patrimônios na contabilidade e proporcionar uma gestão mais segura e profissional para as entidades”, explicou.

Outro tema abordado por Laudelino foi a valorização do trabalho voluntário na Igreja. Ele ressaltou que a atuação dos voluntários representa uma contribuição significativa para as instituições religiosas e que esse trabalho também pode ser reconhecido contabilmente.

“O trabalho voluntário representa algo grandioso para as entidades religiosas. Por isso, tratamos da importância de seu registro contábil e de como isso pode evidenciar a força do envolvimento dos voluntários com a missão e as causas da Igreja”, afirmou.

Percepção dos participantes

Padre Sergio Algeri Filho, ecônomo da diocese de Palmas-Francisco Beltrão (PR), participa dos encontros promovidos pela CNBB há mais de dez anos. Para ele, o simpósio constitui um importante espaço de formação, atualização e partilha de experiências entre aqueles que receberam a missão de auxiliar na administração das dioceses.

O sacerdote recordou que o Direito Canônico orienta que os bens eclesiásticos sejam administrados com a diligência de um bom pai de família, sempre em vista da missão evangelizadora da Igreja.

“Os bens eclesiásticos estão a serviço da manutenção de nossas comunidades. O crescimento e o fortalecimento da evangelização dependem, em grande medida, dos recursos disponíveis. Por isso, o trabalho dos administradores, ecônomos e equipes de contabilidade contribui para que o dízimo, as ofertas e todos os recursos confiados à Igreja sejam destinados às finalidades para as quais existem: a caridade, o culto divino e a manutenção dos ministros da Igreja”, destacou.

Além de representantes das dioceses paranaenses, o simpósio conta com participantes da diocese de Santo André (SP) e da arquidiocese de Aracaju (SE). O ecônomo da arquidiocese sergipana, padre Anderson Gomes, ressaltou a importância da iniciativa para o aprofundamento de temas relacionados à gestão e à missão evangelizadora da Igreja.

“Nós, enquanto instituição religiosa, precisamos conhecer e aplicar os critérios da gestão civil para favorecer a gestão eclesial. No entanto, o objetivo último da gestão da Igreja é a salvação das almas, a promoção do bem comum e o serviço aos mais necessitados. Este simpósio reúne conteúdos de fé, administração, contabilidade e direito, contribuindo para uma gestão cada vez mais qualificada dos bens que pertencem à Igreja e ao povo de Deus”, afirmou.

Continuidade do simpósio

A programação da tarde contempla as conferências “Sustentabilidade Patrimonial” e “Modelos de Seguridade Previdenciária”. Em seguida, as eparquias Ucranianas e as províncias eclesiásticas de Curitiba e Maringá terão um espaço dedicado à partilha de experiências, desafios e boas práticas.

O Simpósio de Evangelização e Gestão Eclesial prossegue até quinta-feira, 25 de junho, promovendo momentos de oração, formação, reflexão e troca de experiências sobre temas fundamentais para a administração e a missão da Igreja.

Por Karina de Carvalho Nadal | Jornalista da CNBB Sul 2

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