Evento ampliou o tradicional Encontro dos Ecônomos, reunindo especialistas e representantes de dioceses do Paraná, São Paulo e Sergipe para refletir sobre gestão, sustentabilidade, legislação e evangelização
O Simpósio de Evangelização e Gestão Eclesial, promovido pelo Regional Sul 2 da CNBB em parceria com a empresa ITA Gestão Eclesial, reuniu em Curitiba (PR), cerca de 50 participantes, dentre eles: padres ecônomos, advogados, contadores, administradores e colaboradores que atuam nos departamentos administrativos das dioceses. Além de representantes de diversas arqui/dioceses do Paraná, o encontro acolheu participantes dos estados de São Paulo e Sergipe.
Durante os quatro dias de Simpósio foi proposto aos participantes uma programação que envolveu momentos de oração e espiritualidade, de estudo, de partilha e também de cultura e lazer. Alguns dos temas abordados, sempre por profissionais de diversas áreas do conhecimento, foram: ambiente organizacional; Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, documento que orienta a missão evangelizadora e a organização da Cúria Romana; gestão patrimonial nas entidades eclesiásticas; sustentabilidade patrimonial; modelos de seguridade previdenciária; reforma tributária; gestão eclesial segura.
Dentro da programação cultural, os participantes realizaram uma visita guiada à sede administrativa da Província Marista e ao Memorial Marista, conhecendo um pouco da história e da atuação da instituição. Já na noite de quarta-feira, 24 de junho, participaram de um momento de confraternização no Restaurante Madalosso, reconhecido como um dos maiores e mais tradicionais restaurantes de culinária italiana da América Latina. Durante o jantar, acompanharam a partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo, celebrando a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, resultado que garantiu a classificação do Brasil para a fase seguinte da competição.

Reforma Tributária e seus impactos nas instituições eclesiais

Um dos temas de destaque do Simpósio foi a reforma tributária e seus impactos para a Igreja. Durante a conferência, o professor titular da PUC-PR, Dr. Bruno Grego, destacou que, apesar da percepção de que a imunidade tributária teria sido ampliada, a nova legislação exige atenção das instituições eclesiais.
“Existe um discurso de que a imunidade tributária da Igreja foi ampliada e existe também uma percepção de uma certa tranquilidade, porque é prevista uma não incidência do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e do CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) sobre receitas da Igreja. No entanto, é muito importante que a gente lembre que a imunidade tributária era mais ampla antes, porque ela era incondicionada. Isso é algo que a Igreja tem que ficar atenta, porque pode ser que surjam discussões que a gente já tinha superado anteriormente, mas agora o dispositivo mudou”, afirmou o professor.
O especialista também chamou atenção para o impacto das obrigações acessórias decorrentes da reforma tributária. “Muita gente foca no pagamento do tributo. A Igreja já é acostumada a não precisar se preocupar tão intensamente com isso. Agora, nós temos um custo muito alto, que é o custo das obrigações tributárias acessórias. Manter sistemas, fazer declarações, ter equipe para a apuração, lidar com eventuais penalidades, tudo isso é um trabalho muito grande e vai gerar ainda mais despesas. Essa é uma despesa oculta da tributação, principalmente aqui no Brasil”, explicou.
Dr. Bruno ressaltou ainda que a boa gestão é condição para que a missão evangelizadora continue sendo realizada. “Durante muito tempo cultivamos a ideia de que a Igreja, apesar de ser uma pessoa jurídica, não precisa se preocupar com aspectos puramente econômicos. No entanto, o que a gente quer é a sustentabilidade das atividades da Igreja. A gente quer que a obra da Igreja sempre esteja presente, que a evangelização seja muito sólida. E, para isso, a gente precisa existir, precisa de recursos e precisa manter equipes. É necessário que tenhamos uma gestão estratégica, uma visão estratégica de sustentabilidade econômica e social”, finalizou.
Avaliação dos participantes
Para a advogada da arquidiocese de Curitiba, Dra. Cyntia Glowacki Ferreira, que atua há mais de 30 anos na instituição, um dos grandes diferenciais do simpósio é reunir diferentes setores das dioceses em torno dos mesmos desafios.
“Participar desses encontros, como tem acontecido agora, juntamente com as equipes do jurídico, recursos humanos e contabilidade, ampliou muito e aproximou essa gestão, essa partilha com as demais dioceses. Eu até comentei o quanto foi importante o trabalho do ano passado, com as dioceses de Cascavel e Foz do Iguaçu. Pudemos evoluir em algumas tratativas, tanto na área imobiliária quanto na área sindical. Os resultados dessa partilha são muito frutíferos”, disse Cyntia
Ela também destacou os temas que mais lhe chamaram atenção nesta edição. “Ficou muito forte a fala do padre Márcio e do padre Valdecir, que nos trouxeram a importância e o foco na pessoa, no colaborador, no voluntário que está lá. O quanto é importante termos essa visão da pessoa, do ser, da pessoa que está ali se colocando a serviço da gestão eclesial. Dom Peruzzo também destacou a importância da gestão eclesial financeira e patrimonial ter transparência. Isso foi bastante focado e bastante discutido aqui”.
As advogadas Cristina Espíndola e Camila Cunha, de Florianópolis (SC), também ressaltaram a importância da iniciativa para fortalecer a administração das dioceses.
Cristina afirmou que “o encontro foi incrível, um olhar novo, um olhar necessário sobre a importância da gestão eclesial, o quanto isso está tornando a administração cada vez mais profissional e trazendo consequências e resultados significativos para a nossa Igreja”.
Já Camila, chamou atenção para a necessidade de ampliar os cuidados com o patrimônio eclesial. “Acho que entre os temas que foram trazidos aqui no simpósio, a sustentabilidade patrimonial é um dos que servem mais como alerta. Hoje, a gente tem uma fiscalização maior, um acompanhamento maior sobre o cuidado com o patrimônio da Igreja perante a sociedade. Esse tema foi de bastante destaque. O encontro está sendo muito bom, com muita troca de experiência, muita partilha do que tem dado certo e do que ainda precisa ser melhorado em cada diocese”.
Representando a diocese de Guarapuava (PR), o advogado Dr. Artur Bittencourt Junior, destacou a riqueza do trabalho conjunto desenvolvido durante o simpósio. “Guarapuava teve o privilégio de participar com uma equipe multifuncional: contadores, advogados, pessoal da administração, do financeiro, do econômico. Estamos muito felizes porque a sinergia entre essas funções realmente vai melhorar muito o trabalho da nossa diocese e podemos nos antecipar a eventuais problemas que possam surgir”.
Ele também elogiou a qualidade dos conteúdos apresentados: “O conteúdo que está sendo transmitido aqui é muito rico, principalmente na questão tributária. É um conteúdo atualizado e que nos tranquiliza com relação aos próximos passos que vamos dar na nossa diocese”.
Administrador da arquidiocese de Londrina (PR), Bruno Paz afirmou que a principal riqueza do simpósio está na convivência entre as dioceses. “Exerço essa função há oito anos e é sempre uma graça poder participar desses eventos que o Regional promove. Sobretudo, eu gosto de destacar a troca de experiências, saber a realidade de cada diocese, tanto dos ecônomos como dos técnicos que atuam nessas diversas dioceses”.
Sobre os conteúdos apresentados, ele destacou especialmente a abordagem da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). “Um dos temas que foi muito relevante no encontro deste ano é a questão da NR-1. Tenho certeza de que contribuiu muito para todas as dioceses. É um tema importante, tanto pela questão dos riscos psicossociais quanto pelo cuidado com os nossos colaboradores”.
Confira a matéria em vídeo:
Conclusão do Simpósio
Nesta quinta-feira, 25 de junho, último dia do Simpósio de Evangelização e Gestão Eclesial, a programação teve início com a Santa Missa, presidida pelo padre Valdecir Badzinski, do clero da diocese de Guarapuava (PR), e concelebrada pelo padre Marcio Fernando Magoni, da diocese de Foz do Iguaçu (PR), e pelos diáconos: Celso Godoy, da diocese de Apucarana (PR), e Ernesto Dall Agnol, da arquidiocese de Cascavel (PR). Ao longo da manhã, os participantes também participaram de um momento de partilha sobre os desafios e as iniciativas inovadoras desenvolvidas nas dioceses, além de acompanharem duas conferências dedicadas aos temas “Reforma Tributária sobre o Consumo” e “Gestão Eclesial Segura”. O encontro foi encerrado com a bênção de envio, seguida do almoço de confraternização.
Esta foi a primeira edição do Simpósio de Evangelização e Gestão Eclesial promovido pela CNBB Regional Sul 2. O evento substituiu o tradicional Encontro dos Ecônomos, realizado anualmente e voltado exclusivamente às dioceses do Paraná. Com um formato ampliado, o simpósio passou a reunir participantes de dioceses de outros estados e a abordar, de forma integrada, diferentes áreas da gestão eclesial, favorecendo a formação, a atualização e a troca de experiências entre os diversos profissionais que atuam a serviço da Igreja.
Karina de Carvalho Nadal | Jornalista da CNBB Sul 2







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