A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou o lançamento oficial das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032, documento que orientará a missão evangelizadora da Igreja no país nos próximos anos.

Um vídeo, produzido pela Edições CNBB, resgata a caminhada histórica da Conferência na construção desse documento. A produção evidencia uma trajetória eclesial e pastoral construída ao longo de décadas, em diálogo com os desafios de cada tempo e com a recepção do Concílio Vaticano II na vida da Igreja no Brasil.

 

A inspiração conciliar e a pastoral de conjunto

O vídeo aponta que as novas Diretrizes, aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP), inserem-se em uma tradição que remonta aos primeiros esforços da Igreja no Brasil para organizar a ação evangelizadora de forma articulada, participativa e missionária. Essa trajetória revela como a CNBB foi assumindo, progressivamente, uma compreensão de Igreja fundada na comunhão, na corresponsabilidade e na pastoral de conjunto, em sintonia com a Constituição dogmática Lumen Gentium, um dos principais documentos do Concílio Vaticano II.

Realizado entre 1962 e 1965, o Concílio Vaticano II representou um marco decisivo para a vida da Igreja em todo o mundo. Entre os seus textos centrais está a Lumen Gentium, que apresentou uma renovada compreensão da Igreja como Povo de Deus, corpo vivo de Cristo, reunido na comunhão e enviado em missão.

No Brasil, a recepção dessa eclesiologia encontrou eco na ação da CNBB, especialmente nos documentos que passaram a orientar a chamada pastoral de conjunto – expressão que traduz o esforço de organizar a missão da Igreja de forma integrada, superando iniciativas isoladas e favorecendo a participação de todo o povo de Deus.

A recepção da Lumen Gentium nos documentos da CNBB não se deu de forma linear ou repetitiva, mas como um processo histórico e pastoral marcado por continuidades, adaptações e releituras. Ao longo desse percurso, os textos da Conferência foram incorporando, em diferentes contextos, temas como comunhão, participação, planejamento pastoral e corresponsabilidade missionária.

Do Plano de Pastoral de Conjunto às Diretrizes Gerais

Essa caminhada tem um de seus marcos no Plano de Pastoral de Conjunto 1966-1970, elaborado no contexto imediato do pós-Concílio. O documento expressou o esforço da Igreja no Brasil de traduzir as intuições conciliares em caminhos concretos de organização pastoral, oferecendo orientações comuns para a ação evangelizadora no país.

Desde então, a CNBB passou a elaborar e atualizar documentos de orientação pastoral, acompanhando as transformações da sociedade, da vida eclesial e da missão da Igreja no Brasil. Ao longo das décadas, essa tradição se consolidou nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que se tornaram referência para dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e organismos eclesiais.

O vídeo produzido pela Edições CNBB mostra que esse percurso confirma a pastoral de conjunto não apenas como uma estratégia organizativa, mas como expressão concreta de uma visão de Igreja inspirada na comunhão e na missão. Assim, planejamento, participação e articulação pastoral não aparecem apenas como instrumentos administrativos, mas como formas de tornar visível, na vida e nas estruturas eclesiais, o mistério de comunhão que constitui a própria Igreja.

Um caminho que chega às DGAE 2026-2032

É nesse horizonte que se situam as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032, aprovadas pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB. O novo documento dá continuidade a esse processo histórico de discernimento e atualização pastoral, reafirmando a missão evangelizadora da Igreja em um contexto marcado por profundas transformações culturais, sociais e tecnológicas.

As novas Diretrizes oferecem referências para a vida e a missão da Igreja no Brasil nos próximos seis anos, procurando responder aos desafios do presente com fidelidade ao Evangelho, atenção à realidade e abertura ao caminho sinodal vivido pela Igreja. Em continuidade com a tradição da CNBB, o documento busca fortalecer uma Igreja cada vez mais missionária, participativa, samaritana e enraizada na Palavra de Deus, na Eucaristia e na vida das comunidades.

Adquira (aqui) o Documento.

Fonte: CNBB

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