Desassistência material, uso excessivo da força e ausência do acesso ao banho do sol estão entre as principais violações constatadas e podem configurar tortura

Entre os dias 16 a 20 de maio, a Pastoral Carcerária do Regional Sul 2 foi uma das organizações convidadas, ao lado da Frente pelo Desencarceramento do Paraná, para acompanhar a missão do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT). A missão teve como objetivo visitar locais com pessoas privadas de liberdade para observar circunstâncias análogas à tortura, situações desumanas e propor recomendações para sanar os problemas. 

Foram realizadas vistorias no Complexo Médico Penal (CMP); na 1ª Delegacia Regional de São José dos Pinhais, no Centro de Triagem da Polícia Civil; na Carceragem da Delegacia Cidadã de Paranaguá; na Penitenciária Feminina do Paraná (PFP); na Casa de Custódia de Piraquara; e no Centro de Socioeducação de Curitiba.

A missão foi encerrada com uma reunião pública na Assembleia Legislativa, na tarde de sexta-feira (20), para apresentar resultados iniciais de um relatório sobre violações de direitos humanos contra a população carcerária no Paraná. Entre as principais violações constatadas em todos os espaços visitados estão a desassistência material, com pessoas sem condições mínimas de dignidade; o uso excessivo da força, com ausência de regulamentação e protocolos; a ausência do acesso ao banho de sol ou em menor tempo que o determinando. “Isso pode configurar tortura, pois é um regime mais rígido que o regime rígido”, resumiu a perita Bárbara Coloniense.

O vice-coordenador da Pastoral Carcerária, Lucas H. P. Duarte, enfatizou que a partir dos resultados preliminares da inspeção do MNPCT é possível concluir que não está tudo bem nas prisões paranaenses, que as condições de encarceramento podem ser piores nas unidades do interior do estado e que não serão novas vagas que resolverão os problemas. “É preciso desencarcerar!” afirmou Lucas. Josiane Miranda, articuladora da Frente Estadual pelo Desencarceramento, questionou o modelo penitenciário paranaense pautado na violência contra as pessoas presas, e solicitou o retorno habitual das visitas, que há 3 anos ainda não foi regularizada.

Também participaram da inspeção a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da ALEP, Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Comissão de Defesa e Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Paraná seção Paraná (OAB-PR), Defensoria Pública do Estado do Paraná, Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Paraná e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

Pastoral Carcerária do Regional Sul 2 da CNBB

A Pastoral Carcerária é a mais gratuita de todas as pastorais. Ela apresenta de maneira admirável a imagem de Jesus que vem salvar e morrer sem nada receber. É a presença da Igreja nos cárceres repetindo continuamente a indagação: o que Jesus faria ou diria nessas situações? Como trataria essas pessoas? Sua ação torna-se parte integrante da atividade missionária da Igreja, constituindo um dever pastoral para todos os cristãos. Esse indispensável trabalho pastoral busca promover de modo eficaz e corajoso os direitos humanos, consolidados no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja. Através da palavra, da ação e da colaboração mútua, visa comprometer-se firmemente na defesa dos direitos individuais e sociais do homem e da mulher que padecem nos cárceres.

Saiba mais em: https://cnbbs2.sitesparresia.com/pastoral-carceraria/

(Por Lucas Duarte com informações de Thiago Alonso da Assembleia Legislativa do Paraná)

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