Na manhã desta terça-feira, 7 de julho, uma coletiva de imprensa marcou o lançamento regional da Cartilha de Orientação Política 2026: “A Política Melhor e a Cultura do Encontro”. Promovido pelo Regional Sul 2 da CNBB, em parceria com a Arquidiocese de Curitiba (PR) e com apoio técnico da TV Evangelizar, o evento foi realizado no Salão Nobre da Cúria Arquidiocesana de Curitiba e transmitido ao vivo pelo YouTube. 

Compuseram a mesa o arcebispo de Londrina e presidente da CNBB Sul 2, dom Geremias Steinmetz; o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo; e o professor doutor Rogério Carlos Born. Os convidados apresentaram o subsídio à sociedade e responderam às perguntas da imprensa. 

Participaram da coletiva, profissionais de diversos veículos de comunicação e representantes de entidades da sociedade civil. Entre os convidados estavam o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Luciano Carrasco Falavinha; o diretor-geral do TRE-PR, Valcir Mombach; e a procuradora regional eleitoral, desembargadora Heloísa Helena Machado. 

A programação foi composta pelas exposições dos integrantes da mesa, seguidas de um período destinado às perguntas dos jornalistas e convidados. Ao final, dom Geremias concedeu a bênção aos participantes. 

Fala dos integrantes da mesa 

O primeiro a se pronunciar foi dom Geremias Steinmetz. Em sua apresentação, destacou alguns dos principais temas abordados na cartilha, relacionando-os à recente análise de conjuntura social realizada pela CNBB. 

“A Igreja caminha em torno da relação entre voto e esperança. Mais uma vez podemos dizer que nosso povo tem diante de si oportunidade de mudanças, de indicações, de provocações para que, de fato, a sociedade brasileira possa ser servida por uma política cada vez mais humana, uma política melhor e a cultura do encontro”, disse o arcebispo. 

Dom Geremias ressaltou que um dos sinais de esperança é a expectativa em torno da primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas. 

“O Papa propõe um resgate da política, por meio de uma ética da fraternidade e da amizade social, o que já é uma herança do Papa Francisco”, afirmou. 

Na sequência, o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo, abordou o papel da Igreja durante o período eleitoral. Segurando uma Bíblia, leu trechos do Evangelho para evidenciar que a dimensão política, não partidária, sempre esteve presente na vivência da fé do povo de Deus.

“Qualquer discurso de pacificação de um povo, se não tiver grandezas políticas, será sempre um engodo. E qualquer religião que não se importe com os destinos de um povo, já houve quem tenha dito, é ópio do povo. Em outras palavras, não se pode considerar qualquer aspecto religioso das comunidades e de um povo sem que ele tenha também faces políticas”, afirmou. 

Ao tratar da publicação, dom Peruzzo recordou que o termo “cartilha” deriva de “carta” e remete à proposta de oferecer princípios que auxiliem a reflexão dos eleitores. 

“Não por que toma parte, mas por que quer ajudar os filhos da Igreja e outros que queiram se deixar ajudar, favorecendo um processo reflexivo que exclua confrontos, mas nunca deixe de incluir dialética respeitosa, colocando no centro as pessoas”. 

O professor Rogério Carlos Born destacou a contribuição das Cartilhas de Orientação Política para a formação cidadã ao longo das últimas décadas. Segundo ele, poucos materiais produzidos no Brasil alcançaram uma difusão tão ampla quanto a Cartilha de Orientação Política da CNBB Sul 2. Como exemplo, recordou que, em 2018, foram distribuídos quase um milhão de exemplares. 

“Em linguagem simples e acessível, ela se tornou um verdadeiro patrimônio da comunidade católica e representa um serviço prestado à democracia, promovido pela Igreja”, disse Rogério. 

O professor também observou que cada processo eleitoral apresenta desafios próprios, o que justifica a atualização dos temas abordados em cada edição da cartilha. Segundo ele, as eleições de 2026 ocorrerão em um cenário marcado pela intensa circulação de informações nas redes sociais e pelo avanço da inteligência artificial, que poderá tanto ampliar as possibilidades de comunicação quanto favorecer práticas de manipulação do eleitorado. 

“A desinformação desafiará cada vez mais a capacidade de discernimento dos cidadãos, por meio da circulação de conteúdos falsos, descontextualizados ou não comprovados, além da disseminação de discursos de ódio protegidos pelo anonimato. Assim, nunca foi tão necessário fortalecer a cultura da verdade”, afirmou Rogério. 

Ao final da coletiva, jornalistas e convidados apresentaram perguntas sobre temas como desinformação, polarização política, participação dos jovens na vida pública, orientações da Igreja aos padres durante o período eleitoral, estratégias de divulgação da cartilha, diferenças entre frente parlamentar e bancada parlamentar e as expectativas em relação à atuação de um político católico. 

Ao responder sobre o que se espera de um político católico, dom Peruzzo destacou três atitudes fundamentais: 

“Que mostre que a fé que ele professa inspire seus discursos e suas votações. Dois: que mostre amar e escolher a transparência. Três: que no modo de debater, mostre que até mesmo quando as discordâncias forem as mais vigorosas, nunca deixa de respeitar. Não precisa fazer discurso religioso, mas que o seu comportamento seja retrato da fé que professa e da moral que integra para seu modo de ser”. 

Confira o vídeo da transmissão da coletiva na íntegra: 

Karina de Carvalho Nadal – Jornalista da CNBB Sul 2
Fotos: Angela Barbosa – Pascom da Arquidiocese de Curitiba

 

 

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