Na manhã dessa sexta-feira, 17 de abril, 3º dia da 62ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos reunidos em Aparecida (SP) participaram das análises de conjuntura social e eclesial, dois momentos de reflexão voltados à compreensão dos desafios do tempo presente e de suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.
A análise de conjuntura social foi apresentada por dom Francisco Lima Soares, bispo de Carolina (MA) que destacou a necessidade de uma escuta atenta e responsável diante de um cenário marcado por incertezas e tensões. Segundo ele, a realidade de 2026 não pode ser compreendida de forma fragmentada, pois temas como guerras, disputas de poder, erosão democrática, crise ambiental e economia estão interligados.
Na sequência, os bispos acompanharam a análise de conjuntura eclesial sobre o ethos religioso brasileiro atual, conduzida por dom Joel Portella, bispo de Petrópolis (RJ). A reflexão partiu do tema “Evangelizar em tempos de pós-cristandade” e buscou relacionar a conjuntura eclesial às opções evangelizadoras presentes nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Dom Peruzzo e Dom Amilton destacam pontos das análises de conjuntura
O arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, destacou a complexidade e a sensibilidade da análise de conjuntura social no contexto brasileiro. Segundo ele, trata-se de um dos exercícios mais exigentes dentro das assembleias episcopais.
Dom Peruzzo observou que “as análises de conjuntura social nas nossas assembleias, quase sempre, acerca delas há defesas e há vozes críticas, mas é uma das mais difíceis”, ressaltando que o trabalho exige competência e rigor. “Quem faz, faz com competência, com lucidez, com a busca abalizada da palavra de gente especialista. Não se trata aqui de agradar ou de desagradar, mas de salientar o que há de mais problemático num contexto de uma nação continental como é o caso do Brasil”, afirmou, ao mencionar a complexidade de um país marcado por pluralismos, variáveis e tensões.
Apesar dos desafios, Dom Peruzzo avaliou positivamente o trabalho realizado neste ano. “Foram muito vitoriosos os redatores. Houve menos recriminações e os textos, também o método tem ajudado, mas foram muito oportunos e cirúrgicos na avaliação”, afirmou. Ele destacou que os conteúdos conseguiram abordar, com precisão, questões relevantes da realidade nacional, especialmente em um contexto marcado por problemas econômicos e políticos, intensificados pelo período eleitoral.
Por fim, Dom Peruzzo ressaltou que o papel da Igreja não é condenar o tempo presente, mas compreendê-lo à luz da fé. “Não se trata aqui de amaldiçoar a história, mas de ter coragem de observá-la com a atividade necessária para ver quais são os caminhos que a Igreja pode seguir para ouvir a voz do Senhor e, em nome do Senhor, tentar propor caminhos de paz e de reconciliação”, concluiu.
Confira a fala de dom Peruzzo na íntegra:
Sobre a análise de conjuntura eclesial, o bispo de Guarapuava (PR) e secretário da CNBB Sul 2, dom Amilton Manoel da Silva, destacou a
complexidade do cenário e a necessidade de discernimento diante da diversidade de expressões presentes na vida eclesial.
Segundo ele, “nós vivemos um momento em que a realidade é plural dentro do contexto eclesial”. Dom Amilton ressaltou que, embora não haja “um sistema determinado”, é fundamental compreender, nesse ambiente plural, a distinção entre diferentes formas de vivência religiosa. “Nós precisamos ter claro o que é uma experiência religiosa enquanto aqui nós temos devoções, nós temos uma participação de expressões na piedade popular e a experiência de fé que é uma experiência concreta do seguimento de Jesus, onde implica discipulado, missionariedade, sinodalidade”, afirmou.
O bispo também chamou atenção para o crescimento da participação dos fiéis nas comunidades, sobretudo entre adultos que buscam os sacramentos. “Hoje esse fenômeno que estamos vivendo da participação de muitas pessoas em nossas igrejas, sobretudo a catequese e a busca do batismo por pessoas adultas, não só crianças, é uma participação grande”, observou. Ele acrescentou que, durante a Semana Santa, os bispos têm percebido “uma participação de massa nos eventos religiosos”, o que indica que “a religiosidade não está em baixa no contexto atual”.
Diante desse cenário, Dom Amilton enfatizou a responsabilidade da Igreja em qualificar sua ação evangelizadora. “Isso nos responsabiliza para qualificar o nosso testemunho, a nossa evangelização e, de fato, caminhar pela via da sinodalidade, da comunhão e unidade”, afirmou.
Confira a fala de dom Amilton na íntegra:
Karina de Carvalho Nadal | Jornalista da CNBB Sul 2
Com informações do Portal da CNBB

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