Com o objetivo de DESPERTAR E ACOMPANHAR as novas gerações no Paraná, motivados pelo 3º Ano Vocacional do Brasil, a Pastoral Vocacional (PV) e o Serviço de Animação Vocacional (SAV) elaboraram um projeto para iniciar um processo de fortalecimento da consciência vocacional na Igreja.  

Inspirado no texto-base do 3º Ano Vocacional e nos documentos recentes do magistério do Papa Francisco, Christus Vivit e Gaudete et Exsultate, o projeto visa ir ao encontro dos adolescentes e jovens para escutá-los. Essa escuta se dará por meio de encontros vocacionais baseados nos três “As” vocacionais: Ambientes, Atitudes e Acompanhamento vocacional.  

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No início de 2023, a PV/SAV dirigiu uma carta aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas, formandos e leigos dedicados ao cuidado humano-vocacional das novas gerações, com uma proposta para animação do 3º Ano Vocacional. Nessa carta, havia a motivação para que cada arqui/diocese indicasse pessoas para serem agentes vocacionais. Esses agentes seriam pessoas da comunidade, de boa vontade, que já acompanhassem algum grupo de crianças, adolescentes ou jovens e que interagissem com eles com boa frequência. 

A resposta das arqui/dioceses foi muito positiva, pois, por meio de inscrições, houve quase mil agentes vocacionais pelo Paraná. A missão desses agentes é reunir os grupos de adolescentes e jovens em três encontros, segundo os três “As”, refletir com eles e ouvir as suas ideias e sugestões. Depois, fazer uma síntese do que foi dialogado.  

Para esses encontros, a PV/SAV disponibilizou roteiros em PDF com as motivações e perguntas e também um vídeo motivacional. Os roteiros foram lançados e disponibilizados gradualmente, nos meses de fevereiro, março e abril, com uma live. A última delas está marcada para o dia 14/4. 

Confira o vídeo da última live, realizada no dia 10 de março:


ENTREVISTA

Entrevistamos o coordenador da PV/SAV no Paraná, padre Marcelo Ribeiro da Silva, do clero da diocese de Toledo (PR), que está à frente desse projeto, assim como da animação do Ano Vocacional no Regional Sul 2 da CNBB. Ele explica os objetivos do projeto, como está se desenvolvendo e o que se espera com ele.  

Padre Marcelo

– Padre Marcelo, como o Ano Vocacional está sendo articulado na Igreja do Paraná? 

Para nós, o Ano Vocacional não é uma programação com eventos e atividades, mas é um acontecimento eclesial, a fim de que a Igreja tome consciência da sua missão vocacional. Articulamos esse projeto, em abril do ano passado, como um processo de escuta mútua entre as pastorais afins, buscando identificar um modo de discernimento comum a respeito de como a Igreja no Paraná pode despertar e acompanhar as futuras gerações. Partimos da certeza de que um Ano Vocacional é um momento em que a Igreja se lança a sonhar os seus próximos vinte anos. Então, trazemos como motivação a consciência da responsabilidade que temos de discernir os caminhos a respeito dos desafios e da forma como nós podemos promover, despertar e acompanhar a vocação das futuras gerações.  

– Qual é a missão dos Agentes Vocacionais nas dioceses? 

Para que tivéssemos, ao longo deste ano, um acontecimento vocacional na Igreja do Paraná, precisávamos chegar a um modo concreto de realizá-lo. Então sonhamos, conversamos, discutimos e decidimos que iríamos trabalhar para que em cada paróquia do Paraná tivéssemos um agente do Ano Vocacional. Eles são aquelas figuras que já interagem com as novas gerações, quer sejam eles da Infância e Adolescência Missionária, da Catequese, dos grupos de Coroinhas e Acólitos, da Pastoral Juvenil, ou seja, pessoas que já atuam com os jovens e com os adolescentes que podem desempenhar a função de ouvir a juventude a respeito dos temas do despertar e do acompanhamento vocacional. Dessa forma, motivamos as dioceses que escolhessem pessoas das paróquias para serem esses agentes, que vão entrar em diálogo com os interlocutores, que são os grupos infanto-juvenis. 

– O que a comissão do Ano Vocacional no Paraná vai fazer com as sínteses enviadas pelas paróquias? Qual é o projeto? 

A atividade que contamos ser a principal nas paróquias e dioceses, a respeito desse acontecimento vocacional no Paraná, é o diálogo entre os agentes do Ano vocacional e os interlocutores, sejam eles adolescentes ou jovens, sobre os temas vocacionais. Essa conversa é muito importante para nós. Por isso, pedimos que em todas essas conversas sejam anotadas as contribuições da juventude sobre os temas vocacionais. Para que isso aconteça, estamos disponibilizando um modelo de encontro, com cinco perguntas para cada tema vocacional e um modelo de síntese para as respostas. As perguntas respondidas pelos jovens devem ser sintetizadas pelos agentes e, depois, enviadas às dioceses e essas aos centros teológicos que nós temos no Paraná. Eles farão uma nova síntese e encaminharão ao Regional Sul 2 da CNBB. A finalidade das sínteses é fazer chegar à Igreja, aos nossos ambientes de decisão, a voz das juventudes sobre como elas desejam ser despertadas para a vocação e acompanhadas no processo vocacional. 

Confira o vídeo em que o padre Marcelo motiva os agentes vocacionais a realizarem a síntese dos encontros:  

– Fale-nos sobre os 3 “As” vocacionais. Por que a PV/SAV os escolheu como prioridade da sua caminhada? 

Quando tomamos conhecimento do texto-base do 3º Ano Vocacional 2023, à luz das últimas contribuições do Papa Francisco, sobretudo na Christus Vivit e na Gaudete et Exsultate, percebemos que precisaríamos compreender, estudar e discernir sobre três assuntos que nós chamamos dos 3 “As” da Vocação.  

O primeiro deles são os “Ambientes vocacionais”. O segundo, sobre as “Atitudes vocacionais”. E o terceiro, sobre as formas de “Acompanhamento vocacional”. Esses três temas sintetizam boa parte do trabalho vocacional, que deve ser realizado ou qualificado nas nossas dioceses.  

Ambientes vocacionais diz respeito à qualidade vocacional dos ambientes eclesiásticos. Primeiro, precisamos identificar quais são os ambientes infanto-juvenis que temos em nossas comunidades. E nesses ambientes, em quais deles existe espaço para a promoção da vocação dos adolescentes e jovens. Chamamos isso da qualidade vocacional dos ambientes. Essa é a primeira grande demanda dos nossos tempos. Podemos nos perguntar: as nossas comunidades, os ambientes juvenis, tem uma ambiência, um clima vocacional? A vocação não é um tema apenas de seminário ou das casas de formação feminina, mas na verdade é o ponto decisivo na vida de qualquer cristão que tenha consciência de quem ele é e da missão que possui. Todo processo que realizamos com os adolescentes e jovens se destina a que essa pessoa, em um certo momento da vida, se encontre ou faça experiência de ser chamado. Os conteúdos que estudamos, as atividades que fazemos passam, o que nunca passa é a experiência do chamado de Deus. Então, conversar com a juventude a respeito dos ambientes vocacionais é perceber se nós estamos, efetivamente, ajudando com que eles se percebam chamados, se nossos ambientes lhes permitem fazer a experiência de ser chamado.  

O segundo “A” da vocação, diz respeito às atitudes vocacionais que, nós cristãos, precisamos ter para provocar vocação nas novas gerações. Ou seja, significa um olhar para a qualidade do nosso comportamento cristão. Avaliar se as nossas atitudes vocacionam, chamam, se elas atraem, se somos capazes de gerar admiração. Aqui está em jogo a qualidade dos valores encarnados na vida dos cristãos. Perceber quais valores que nós vivemos que despertam o interesse vocacional, que despertam o amor, a admiração pela vocação. Cada vocação específica precisa ter claro os valores que escolheu viver. Quais valores da vocação sacerdotal, da religiosa, da matrimonial, da missionária, da leiga iluminam e causam admiração na juventude? Nós precisamos nos reencontrarmos com aqueles valores que fazem do nosso ser cristão algo capaz de ser admirado.  

O terceiro “A” diz respeito ao acompanhamento vocacional, ou seja, aqui estamos nos dirigindo a perceber se as formas de acompanhamento que nós temos são satisfatórias, se elas conseguem colocar a juventude em processo de despertar e discernimento vocacional. É ter um olhar especial para as modalidades de despertar vocacional que acontecem nas nossas comunidades, para as modalidades de acompanhamento vocacional que acontecem nos nossos seminários e casas de formação religiosa. Nós precisamos ter mais pessoas peritas nesse caminho a ser trilhado com a juventude, de acolhida, de leitura da história dessa pessoa, de formas de ajudá-lo a dar palavra ao sentimento, aos seus desejos internos, de encorajamento nos passos vocacionais, de liberdade nas escolhas vocacionais.  

Confira o vídeo em que o padre Marcelo fala sobre os três “As” vocacionais: 

– Como a juventude tem acolhido a proposta do Ano Vocacional? Já se tem um feedback? 

 Os agentes já começam a mostrar que há um interesse, uma acolhida positiva da juventude, porque ela se percebe valorizada e com direito a falar a respeito de como ela se percebe vocacionalmente. É bem verdade que esse diálogo depende muito da confiança que se estabelece entre o agente do Ano Vocacional e o seu grupo. Não é algo fácil dar à juventude o direito de se manifestar, demanda de nós uma capacidade muito grande de escuta e uma humildade para não olhar com preconceitos. Estamos muito confiantes de que, ao final do processo, a juventude se sinta mais acolhida, mais ouvida e mais valorizada naquilo que lhe diz respeito, que é o despertar e o acompanhamento da vocação.  

– O que a PV/SAV espera colher de frutos desse 3º Ano Vocacional?  

Acredito que o principal fruto venha a ser o favorecimento desse diálogo entre as gerações da Igreja. Sempre que o diálogo se estabelece, sempre que a Igreja se senta com os seus membros para pensar, para escolher, para discernir, para rezar juntos, a respeito de um tema que diz respeito a todos, o fruto disso tudo é confiança mútua, responsabilidade mútua. Acho que esse é o primeiro grande sinal que nós desejamos que se efetive nas dioceses. O segundo grande fruto, é ajudar as dioceses a ganhar consciência vocacional da sua realidade, perceber as suas forças, as suas potencialidades, mas também perceber aqueles limites ou aquelas deficiências que estão travando o processo vocacional. Em nível regional, o grande fruto desse processo vai ser o Simpósio Vocacional, que estamos planejando para os dias 2 e 3 de setembro, no qual vai ecoar a voz das dioceses que serão interpretadas pelos participantes do Simpósio, isso é lindo. Um espaço para ecoar a voz das juventudes, das novas gerações na Igreja do Paraná, e esperamos cumprir a tarefa de interpretar bem o que nos pede a voz juvenil, a respeito de como cuidar do despertar e do acompanhamento da vocação.  

– O projeto vocacional no Paraná vai além do Ano Vocacional? 

Lançar-se ao desafio de realizar um acontecimento vocacional, e não só uma programação de eventos vocacionais, já indica que o Ano Vocacional 2023 é apenas o ponta pé de um caminho que queremos trilhar, com uma consciência vocacional muito mais vigorosa. É o nosso desejo que, a partir do Simpósio Vocacional, tenhamos condições de sugerir aos bispos diretrizes com respeito às modalidades do despertar vocacional, ou seja: que ambientes, quais atitudes são, hoje, mais favoráveis para atingir a conjuntura juvenil? Também apontar estratégias, itinerários para o acompanhamento daqueles que já se despertaram e estão em processo de discernimento vocacional. Com certeza, esse trabalho, essa orientação, essa sistematização das diretrizes será apenas o início do reavivamento da história vocacional no Paraná.  

Todas as informações e materiais produzidos para a animação do 3º Ano Vocacional na Igreja do Paraná estão disponíveis no site: www.vocacoes.org  

Karina de Carvalho
Assessora de Comunicação da CNBB Sul 2

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