A coletiva de imprensa da quinta-feira, 23 de abril, na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (62ª AG CNBB) trouxe à pauta três assuntos relevantes para a Igreja no país e no continente americano. Foram abordados o 19º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que será realizado em 2027,

A entrevista contou com a presença do arcebispo de Goiânia (GO) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva; do bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da CNBB, dom Maurício da Silva Jardim e do arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB, dom Gregório Paixão. A coordenadora nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), irmã Regina da Costa Pedro, também participou da atividade.

Dom João Justino de Medeiros Silva, detalhou a organização do 19º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que vai acontecer de 03 a 07 de setembro de 2027. Com o tema “Hóstias vivas no mundo, para a glória do Pai”, o evento reafirma a centralidade da Eucaristia na vida cristã. “O tema foi escolhido pela Arquidiocese de Goiânia, em comunhão com o Regional Centro-Oeste e com as comissões de doutrina e liturgia da CNBB. Ele tem seu fundamento na carta de São Paulo aos Romanos, no capítulo 12, quando o apóstolo exorta que sejamos hóstias vivas, sacrifício vivo”, recordou.

Durante a 62ª AG foram entregues ao episcopado o convite e o texto-base. Mais de 100 bispos já confirmaram a presença no evento. Dom João Justino também revelou que a presidência da CNBB fez o convite ao Papa Leão XIV para que ele possa vir ao Brasil celebrar o encerramento do 19º CEN, lembrando que na primeira visita do Papa São João Paulo II ao país, em 1980, ele concluiu o Congresso Eucarístico.

 7º Congresso Americano Missionário

A segunda explanação da coletiva foi de dom Maurício da Silva Jardim e da irmã Regina da Costa Pedro. Juntos eles abordaram o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), agendado para novembro de 2029, em Curitiba (PR).

Com o tema “ América em saída, povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”, o CAM 7 terá a participação de delegações de 22 países. “Ele nos fala de uma Igreja que vai ao encontro, que está em saída. E, ao mesmo tempo, recorda muito bem que o sujeito da missão é todo o povo de Deus. Então, não estamos falando da missão de alguns poucos, mas estamos falando da vocação de toda a igreja. E toda a igreja que reafirma que anunciar e testemunhar Jesus Cristo é o centro da sua missão. Este é o coração da proposta”, ressaltou irmã Regina.

Dom Maurício pontuou duas ações que serão deliberadas pelos bispos na 62ª AG: a realização de um Ano Missionário Nacional entre novembro de 2028 e novembro de 2029, além de uma coleta para subsidiar o evento. “A nossa proposta é que esse Congresso Americano Missionário, em seu caminho de preparação, envolva todas as Igrejas locais do Brasil, com seus diferentes sujeitos, cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, ministros ordenados, envolva também as comissões da CNBB, os organismos do povo de Deus”.

 

Fundo nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica

Dom Gregório Paixão. | Fotos: Felipe Padilha – Comunicação da 62ª AG CNBB.

O terceiro momento da coletiva foi a proposta que será apresentada aos bispos para a criação de um fundo nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica. A iniciativa surge como resposta às demandas de restauro e cuidado com os bens culturais, a fim de evitar a perda da memória história e sacra em diversas regiões do Brasil.

Conforme dom Gregório Paixão, presidente da Comissão para a Cultura e Educação da CNBB, mais de 50% do patrimônio tombado no Brasil pertence à Igreja Católica. “Preservar é dar aos mais pobres a história que foi constituída. Muitos desses templos foram erguidos por mãos indígenas e afrodescendentes que nos deram a beleza que contemplamos hoje”, pontuou Dom Gregório.

O fundo funcionará com assessoria técnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério Público, auxiliando dioceses na elaboração de projetos e na captação de recursos. O objetivo é garantir que as igrejas continuem sendo espaços de fé e cultura acessíveis a todos os brasileiros. “Desse modo, nós vamos poder orientar melhor as dioceses e cuidar desse grande patrimônio que pertence à Igreja Católica, mas que, no fundo, pertence a todos os brasileiros”, completou dom Gregório.

Os bispos aprovaram também, nesta manhã, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. O objetivo é a preservação do patrimônio cultural da Igreja Católica, com estudos iniciados em 2025. A iniciativa visa captar recursos para restaurar e manter bens sacros.

Em setembro de 2025, a Presidência da CNBB aprovou e constituiu o “Grupo de Trabalho sobre o Fundo Patrimonial Filantrópico para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil”. Desde então, o grupo de trabalho realizou diversas reuniões para o estudo técnico sobre o tema e a elaboração da proposta conceitual.

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