Teve início na manhã deste domingo, 15 de fevereiro, o Sínodo Permanente da Igreja Greco-Católica Ucraniana no Brasil. A abertura foi marcada pela celebração da Divina Liturgia na Arquicatedral São João Batista, em Curitiba, reunindo fiéis, clero e autoridades eclesiásticas do Brasil e do exterior. 

A celebração contou com a presença de sua beatitude dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo maior de Kiev, na Ucrânia; do metropolita, dom Volodemer Koubetch; e do bispo eparca, dom Meron Mazur. Também participaram o arcebispo metropolitano de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, bispos de diversos países, o clero da metropolia e da eparquia, religiosos, religiosas e uma expressiva participação de leigos da comunidade. 

Logo no início da celebração, os bispos e o clero foram recepcionados na porta da catedral com cantos tradicionais ucranianos e com a entrega do pão e do sal, antigo costume do povo ucraniano que simboliza acolhida, respeito e hospitalidade. Na tradição, o pão representa a vida, o sustento e a generosidade, enquanto o sal expressa fidelidade, proteção e permanência. Juntos, manifestam o desejo de comunhão, amizade e bênção para quem é recebido, expressando também o compromisso de caminhar juntos na fé. 

A catedral esteve lotada durante cerca de três horas de celebração. Para acolher o grande número de fiéis, foi montada uma estrutura externa com telão, permitindo que outro grupo acompanhasse a liturgia. 

Órgão consultivo e expressão da sinodalidade 

Em entrevista, o metropolita, dom Volodemer Koubetch, explicou que o Sínodo Permanente integra a própria estrutura da Igreja Greco-Católica Ucraniana e exerce um papel consultivo junto à autoridade maior. 

“O Sínodo Permanente faz parte da própria estrutura da Igreja. É um órgão consultivo de ajuda à autoridade maior, que no nosso caso é o arcebispo maior dom Sviatoslav, para ajudar nos projetos, planos pastorais e também nas questões administrativas e culturais”, afirmou. 

Segundo ele, as sessões acontecem normalmente duas vezes por ano, em países diferentes, e representam uma aplicação concreta da sinodalidade incentivada pelo Papa Francisco. “O Sínodo Permanente é realizado num espírito, numa dinâmica de sinodalidade. O arcebispo maior, com os demais membros, vem visitar uma diocese, uma eparquia, uma metropolia, para conhecer as dificuldades, os desafios, as conquistas e possíveis falhas, e assim prestar um serviço de ajuda”, destacou. 

Dom Volodemer ressaltou ainda que, em meio ao contexto da guerra na Ucrânia, a presença do arcebispo maior no Brasil adquire significado especial. “Apesar dessa situação de guerra, dessa dificuldade, eles conseguem vir, até com certa dificuldade, passando por traumas. Vêm para que nós possamos conhecê-los mais de perto”, disse. 

Entre os temas em pauta neste ano estão o planejamento do Sínodo dos Bispos, a eleição de novos bispos e a questão vocacional, especialmente diante da crise percebida nas congregações femininas. 

Preparação do sínodo geral na Ucrânia 

O bispo eparca, dom Meron Mazur, destacou a relevância da visita e explicou que o encontro tem também a missão de preparar o sínodo geral que acontecerá em julho, na Ucrânia. 

“O objetivo principal é preparar o sínodo geral, que acontecerá em julho na Ucrânia, numa cidade mariana de peregrinação. Lá estaremos reunidos por dez dias, e esse sínodo deve ser bem planejado”, afirmou. 

Dom Meron sublinhou a importância da presença do arcebispo maior junto às comunidades espalhadas pelo mundo. “A Igreja ucraniana é uma Igreja global. Os ucranianos, por causa das questões históricas, estão espalhados pelo mundo inteiro e, onde estão, têm suas eparquias ou metropolias organizadas. É muito importante que eles venham para cá para visitar-nos, conhecer a nossa pastoral e a nossa vida”, ressaltou. 

Ele também destacou que a Eparquia sob sua responsabilidade é jovem, com pouco mais de uma década de existência. “Como a minha eparquia é bastante jovem, tem apenas 11 anos, é muito importante para nós a presença do pai espiritual, para que ele nos oriente, faça suas observações e nos abençoe nesta caminhada”, completou. 

Presença diplomática e memória histórica 

O encarregado de Negócios da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, também participou da celebração e destacou o significado histórico do evento, especialmente neste ano em que se recordam os 135 anos da chegada dos primeiros imigrantes ucranianos ao Brasil. 

“Para nós é um evento muito importante, porque este ano festejamos 135 anos da chegada dos primeiros ucranianos ao Brasil. A chegada do nosso patriarca Sviatoslav é muito simbólica e muito importante”, afirmou. 

CONFIRA A REPORTAGEM EM VÍDEO:

 

Programação segue até o dia 22 

O Sínodo Permanente segue em Curitiba até quarta-feira, 18 de fevereiro, com encontros e celebrações envolvendo o clero, religiosos, religiosas e leigos da metropolia. A partir de quinta-feira, 19 de fevereiro, as atividades serão realizadas em Prudentópolis, com a participação da pearquia Ucraniana, estendendo-se até o dia 22 de fevereiro. 

No primeiro dia do sínodo na Eparquia, em Prudentópolis, haverá um encontro com o arcebispo de Londrina e presidente do Regional Sul 2 da CNBB, dom Geremias Steinmetz. Esse momento expressa a comunhão e a fraternidade que existe entre a Igreja Católica do rito latino e ucraniano no Paraná.  

Ao longo dos próximos dias, os membros do Sínodo deverão aprofundar questões pastorais, administrativas e missionárias, fortalecendo a comunhão e a unidade da Igreja Greco-Católica Ucraniana no Brasil e sua ligação com a Igreja na Ucrânia, especialmente neste tempo marcado pelos desafios da guerra e pela vivência concreta da sinodalidade. 

Karina de Carvalho Nadal – Jornalista da CNBB Sul 2

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