A paróquia Nossa Senhora Aparecida, do município de Tapejara (PR), diocese de Umuarama (PR), viveu um momento histórico e profundamente missionário no último dia 21 de março, com a entrega da primeira casa construída por meio do projeto paroquial: “Construir Casas e Reconstruir Vidas”. Uma iniciativa solidária que nasceu após a tragédia climática que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, em novembro de 2025.

A entrega da casa contou com a presença do pároco, padre Carlos Alberto de Figueiredo, juntamente com a presidência do Rotary, representantes da Cáritas Diocesana e paroquianos. A obra foi realizada com a colaboração direta da comunidade, que se mobilizou com doações e apoio voluntário desde os primeiros dias após a tragédia.

Rio Bonito do Iguaçu foi violentamente atingida por um tornado no dia 7 de novembro de 2025. Segundo o Governo do Estado, o fenômeno causou destruição severa em grande parte do município, com centenas de casas danificadas e famílias que perderam praticamente tudo.

Relatório da Defesa Civil aponta que cerca de 90% da área urbana sofreu algum tipo de dano, deixando milhares de pessoas desabrigadas e exigindo uma grande mobilização de reconstrução por parte do poder público e de entidades religiosas e sociais.

Foi nesse contexto que nasceu o projeto paroquial: “Construir Casas e Reconstruir Vidas”, que une evangelização e solidariedade, levando não apenas ajuda material, mas também presença missionária. Para a entrega da primeira casa, a paróquia contou com a participação de 47 missionários, sendo 45 de Tapejara e 2 de Cruzeiro do Oeste.

Além da inauguração da residência, os missionários viveram um dia intenso de evangelização. Diversas famílias foram visitadas, com momentos de escuta, oração e partilha da fé, levando esperança, consolo e proximidade, especialmente àqueles que mais sofreram com a tragédia.

Padre Carlos

Padre Carlos ressaltou que “foi um momento de grande graça e benção estar nas famílias para escutá-las, rezar com elas e acolher seu sofrimento. Também os missionários receberam mais do que deram para as famílias. Impressionante a fé daquele povo, do cuidado do padre Christian e dos leigos do Santuário da Esperança. Foi uma experiência de muita fé para nós e de alegria em Cristo Jesus”.

O bispo de Umuarama, dom João Mamede Filho, afirmou que é triste ver o sofrimento das pessoas diante de uma tragédia, porém, também é bonito ver a solidariedade que ela desperta. “É motivo de orgulho dizer isso: fazer parte de uma diocese que tem pessoas tão generosas, de coração tão sensível como esse povo. E Deus é melhor do que nós. Nós damos a Ele uma pequena coisa, e Ele nos dá uma grande recompensa. Estamos no caminho certo. Ele mesmo disse que recompensa até um copo d’água oferecido com amor”, afirmou o bispo.

A entrega da casa representa o início de uma nova etapa para o projeto, que segue mobilizando parcerias e a generosidade da comunidade. As doações continuam sendo recebidas para que outras famílias também possam ser contempladas com moradia digna e com a presença concreta da Igreja em saída. 

Iniciativa está em comunhão com projeto da diocese de Guarapuava

Esse projeto da diocese de Umuarama está em comunhão com o projeto solidário protagonizado pela diocese de Guarapuava (PR), a qual pertence o município de Rio Bonito do Iguaçu. Desde que aconteceu o tornado, a Igreja local tem desenvolvido um trabalho estruturado de apoio às famílias atingidas, com foco na reconstrução a longo prazo. Intitulado: “Eu ajudei a reconstruir o Rio Bonito do Iguaçu”, o projeto tem mobilizado paróquias, organismos e a sociedade civil para garantir moradia digna às famílias afetadas.

A proposta, assinada pelo bispo diocesano, dom Amilton Manoel da Silva, em conjunto com a Cáritas Diocesana e a Comissão Sociotransformadora, prevê uma ampla campanha de mobilização entre os meses de março e maio de 2026, período central da Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”. O objetivo é reconstruir o maior número possível de casas, especialmente nas áreas mais atingidas, como o Assentamento Nova Geração, além de assegurar condições reais de recomeço às famílias.

De acordo com o levantamento apresentado no projeto, cerca de 600 moradias ainda necessitam ser reconstruídas ou recuperadas, evidenciando a dimensão do desafio. Até o momento, a Cáritas Diocesana de Guarapuava já viabilizou a entrega de algumas casas e segue com outras em andamento, além de atuar na aquisição de móveis e utensílios domésticos, garantindo que as famílias encontrem não apenas abrigo, mas condições dignas de vida.

A iniciativa também estabelece diferentes formas de participação, como a doação de recursos financeiros, sendo que cada R$ 50 mil arrecadados correspondem à construção de uma casa, doação de materiais de construção e oferta de mão de obra, por meio de mutirões solidários. Para viabilizar a campanha, foi criada uma conta específica destinada exclusivamente à construção das moradias.

Dessa forma, ações como a da paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Tapejara, inserem-se em um esforço mais amplo da Igreja no Paraná, que busca não apenas responder emergencialmente à tragédia, mas promover um processo contínuo de reconstrução, solidariedade e presença missionária junto às famílias atingidas.

Com informações da Pastoral da Comunicação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Tapejara (PR)

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