A Escola São Paulo VI, localizada na cidade de Quebo, na Guiné-Bissau, África, concluiu, na última terça-feira, 30 de junho, o ano letivo 2025-2026. A cerimônia reuniu alunos, professores, famílias e representantes da comunidade para celebrar a conclusão de mais uma etapa na formação de centenas de crianças. Essa escola, que iniciou as atividades em 2020, é mantida pela Missão São Paulo VI, da Igreja Católica do Paraná.
Neste ano letivo, iniciado em outubro de 2025, a escola atendeu 330 alunos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental. Na Guiné-Bissau, o calendário escolar é diferente do adotado no Brasil. Em razão do período das chuvas, que dificulta o deslocamento das crianças até a escola, as aulas acontecem entre os meses de outubro e junho, com um breve recesso durante as celebrações de Natal e Ano Novo.
Em números, neste último ano a Escola São Paulo VI teve um total de 12 turmas, sendo 99 crianças da educação infantil. Além disso, contou com um corpo docente de 17 professores, e mais 7 colaboradores atuando em outras áreas de atendimento.
Um dos diferenciais da Escola São Paulo VI é a oferta diária de merenda escolar para todos os estudantes, nos períodos da manhã e da tarde. Em um país marcado pela insegurança alimentar, essa refeição representa, para muitas crianças, a única alimentação do dia.
A manutenção desse programa é possível graças à solidariedade de benfeitores do Paraná, que assumem o custeio da alimentação escolar. Com uma contribuição mensal de R$ 65,00, é possível garantir a merenda de uma criança durante todo o mês letivo.
Celebração encerramento do ano letivo
A diretora da escola, a missionária Salete Lang, destacou que a cerimônia de encerramento foi marcada pela participação das famílias e pelas tradições culturais da comunidade. 
“Foi um momento muito especial, muito mágico mesmo, vivido pela comunidade, pelas crianças e pelos pais. As crianças da Educação Infantil concluíram esse ciclo e receberam uma roupa especial para a celebração. As famílias participaram de forma muito bonita, trazendo panos para envolver seus filhos, um gesto próprio da cultura local para marcar momentos importantes da vida”, afirmou ela.
A programação também incluiu a entrega dos certificados de conclusão da Educação Infantil e do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, correspondente aos estudantes do 4º ano, além da homenagem aos alunos que mais se destacaram durante o ano.
Segundo a diretora, a escolha dos estudantes premiados vai além do desempenho acadêmico.
“Cada professor indicou dois alunos de sua turma, considerando não apenas as notas, mas também o conjunto de atitudes, dedicação e comportamento. Queremos incentivar as crianças e suas famílias a valorizarem cada vez mais a educação. Nossa prioridade não é apenas que o aluno passe de ano, mas que tenha uma boa formação”.
CONFIRA NO VÍDEO COMO FOI A CELEBRAÇÃO
Desafios da missão educativa
Embora celebre os resultados alcançados, a escola enfrenta desafios permanentes para garantir o acesso e a permanência das crianças na educação. Segundo relatou Salete, um deles é a chegada de estudantes provenientes de outras escolas ou que passaram longos períodos sem estudar, exigindo um acompanhamento pedagógico diferenciado para recuperar as defasagens de aprendizagem.
Outro obstáculo frequente, destacado pela Salete, é a saúde dos alunos. Muitas crianças adoecem durante o ano e precisam interromper os estudos por semanas ou até meses para realizar tratamentos tradicionais nas tabancas (pequenas comunidades do interior do país).
“As crianças adoecem constantemente. Muitas vezes são levadas para tabancas mais distantes e permanecem lá por 30 ou 60 dias para tratamentos tradicionais. Algumas retornam à escola, outras acabam não voltando mais”, contou Salete.
A barreira linguística também representa um desafio importante. Antes de ingressarem na escola, as crianças se comunicam exclusivamente na língua materna de sua etnia. Ao iniciarem a vida escolar, precisam aprender o português, idioma oficial da Guiné-Bissau e língua utilizada em todas as disciplinas.
“Primeiro elas precisam aprender uma nova língua para, só depois, conseguir assimilar os conteúdos ensinados. Essa é uma das maiores dificuldades no processo de aprendizagem”, disse a missionária.
Apesar dos desafios, a diretora ressalta o envolvimento das famílias e da comunidade com a escola, fator que contribui para superar as dificuldades e fortalecer o compromisso com a educação das crianças.
Mantida pela Missão São Paulo VI, que também atua nas frentes da evangelização e da saúde, a Escola São Paulo VI tornou-se uma referência educacional em Quebo. Ao oferecer ensino, merenda escolar e acompanhamento humano a centenas de crianças, a instituição promove não apenas o acesso à educação, mas também a esperança de um futuro melhor para toda a comunidade.
Karina de Carvalho Nadal – Jornalista da CNBB Sul 2
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