Do dia 6 a 8 de fevereiro, o Centro de Formação Juan Diego, em Guarapuava (PR), acolheu o encontro de formação para agentes da Pastoral Indígena e Indigenista do Paraná. A atividade reuniu cerca de 35 participantes, entre religiosos, indigenistas e representantes dos povos indígenas de aldeias do estado do Paraná, com o objetivo de fortalecer a articulação pastoral e capacitar novas lideranças.
Segundo o coordenador regional da Pastoral Indígena e Indigenista, o diácono Cirço Aparecido Nabor, da arquidiocese de Londrina (PR), o encontro contou com uma participação diversificada e representativa. “Neste final de semana nós temos agentes de pastoral indígena, indigenistas, algumas religiosas que vieram das dioceses e também lideranças e coordenadores das aldeias indígenas. Eu, como diácono, acompanho esse trabalho. O encontro está sendo excelente, com uma participação muito boa de todos”, avaliou.
Diácono Cirço explicou que, em nível regional, a pastoral tem se dedicado à articulação e ao acompanhamento das populações indígenas e dos povos originários. “Buscamos, justamente, formar e capacitar novas lideranças, agentes de pastoral indígena e indigenistas”, destacou. Ele lembrou ainda que esse processo de articulação vem sendo construído ao longo dos últimos anos. “Já faz cerca de quatro anos que estamos à frente desse trabalho, articulando, buscando contatos e abrindo diálogo com as paróquias e dioceses de todo o regional”, afirmou.
O diácono também ressaltou o apoio recebido da CNBB Regional Sul 2. “O Regional tem nos dado uma assessoria excelente, ajudando bastante nesses contatos. Estamos avançando gradativamente, mas ainda precisamos avançar mais, porque muitas aldeias não têm uma presença mais constante da Igreja, de um agente de pastoral que estabeleça convivência nas comunidades”, observou. Segundo ele, esse desafio é especialmente significativo junto ao povo Guarani, presente em diversas regiões do Paraná. “Precisamos avançar nessa presença da Igreja, estar nas comunidades e ombrear com eles em suas causas”, completou.
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Um dos temas abordados no encontro foi a formação e a capacitação da juventude indígena. Para Teodoro Tupã Alves, líder e professor indígena da etnia Guarani, atuante na região oeste do Paraná, em Diamante do Oeste, o trabalho pastoral precisa estar atento às realidades vividas pelos jovens. “O meu trabalho junto com a Pastoral Indígena é feito em coordenação com os indigenistas e com a Igreja, promovendo também intercâmbios culturais entre Guarani e Kaingang. Aqui no encontro estamos reunidos para trazer propostas para que 2026 seja melhor, especialmente para a juventude e para a cultura do povo Guarani”, explicou.
Teodoro destacou ainda as dificuldades enfrentadas pelos jovens indígenas no cotidiano. “Hoje, a juventude vive entre a aldeia e a cidade, com dificuldades no estudo, no trabalho, e isso acaba ocupando muito tempo. Muitas vezes é difícil o jovem se encontrar na sua própria identidade”, relatou. Diante disso, ele ressaltou a importância de criar oportunidades concretas. “Estamos procurando planejar atividades e oferecer espaços para que a juventude possa se expressar por meio da música, da dança, da fala e da escrita”, concluiu.
O encontro reforçou o compromisso da Igreja no Paraná com a escuta, a formação e a presença junto aos povos indígenas, valorizando suas culturas e promovendo uma ação pastoral cada vez mais próxima das comunidades e de suas realidades.
A pastoral no Regional Sul 2 da CNBB
A Pastoral Indígena e Indigenista tem como objetivo desenvolver o trabalho pastoral junto às aldeias indígenas a partir da realidade das paróquias e das dioceses, fortalecendo a presença da Igreja junto aos povos originários. Em nível regional, a proposta é organizar uma agenda ampla de encontros e formações em todo o Regional Sul 2, abordando diversos temas ligados à evangelização, à cultura, aos direitos e à convivência entre os povos indígenas. A iniciativa busca cimentar o chão da convivência, promover melhores relações interpessoais entre as diferentes etnias e fortalecer a interação e a interlocução entre indígenas e indigenistas.
Como ponto central e considerado urgente, a Pastoral Indígena e Indigenista solicita que as dioceses, em diálogo com a pastoral, agilizem a indicação de agentes pastorais para atuar junto às comunidades indígenas. Cada paróquia onde houver uma ou mais aldeias é chamada a enviar um ou mais agentes, conforme a realidade local, para participar dos encontros formativos que têm início a partir de fevereiro, com destaque para o encontro de abril, voltado à formação de novos indigenistas, agentes pastorais e assessores diocesanos. Também faz parte desse processo o levantamento das aldeias existentes, com a indicação dos respectivos nomes, das dioceses, paróquias, cidades, setores e dos agentes pastorais designados para o acompanhamento das comunidades indígenas.

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