img_2464-9Exatos 8.212 eleitores foram às urnas este ano e escolheram um candidato cristão para compor a Câmara de Vereadores. Além da pouca idade e do fato de estarem debutando na vida pública, Felipe Ramón de Passos (`PSDB), Maurício Kusdra (PSDC) e Zaqueu Luís Bobato (PHS) são ligados à Igreja Católica, cria de movimentos, grupos de jovens ou pastorais e sintetizam o desejo de renovação do eleitorado e, mais que isso, de mudança no jeito de fazer política, por intermédio de uma ação transformadora. “O cristão pelo Batismo e pela Crisma carrega a força da ressureição de Cristo, que é transformadora da sociedade, o fermento na massa”, resume o bispo dom Sergio Arthur Braschi.

Os três, agora, vereadores eleitos estiveram com dom Sergio, essa semana. O bispo manifestou alegria por estar vendo na eleição dos jovens tudo o que a Igreja pede que seja o cristão leigo: o coração da Igreja no mundo e o coração do mundo na Igreja. “O desejo é que o leigo e a leiga sejam presença nas instituições da sociedade, mas não apenas para estar lá e, sim, para representar uma pequenina e transformadora ação”, comentou. Para dom Sergio, muito mais que representantes da Igreja Católica ou integrantes de uma bancada cristã, os eleitos devem defender os interesses do povo, da população. “Como cita o documento Gaudium et Spes, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.

A Igreja é o povo de Deus que caminha, precisa da presença transformadora, ressalta o bispo, dizendo que conta muito com todos os três. “Assumimos o compromisso de os acompanhar em oração e vigilância. Vamos nos encontrar de vez em quando, trocar ideia, saber o que estão sentindo, fazermos juntos uma reflexão sobre tudo o que estiver os afligindo”, adiantou, lembrando que a região conta com 75% de católicos, 500 mil pessoas, representadas, agora, por eles. “Lembrando que não só os católicos confiaram e votaram neles, mas todos que acreditam na luta pelo bem comum”. Em Imbituva, Zaqueu Bobato, teve a maior votação entre os candidatos ao legislativo, com 940 votos; Maurício Kusdra recebeu, em Castro, 1.280 votos, e, em Ponta Grossa, Felipe Passos foi o segundo vereador mais votado, com a preferência de 5.992 eleitores.

Perfil

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Zaqueu Bobato tem 30 anos é graduado em Geografia, tem mestrado em Geografia Gestão do Território e é doutorando em Geografia. Presidente da Pastoral da Comunicação, foi eleito pelo Partido Humanista da Solidariedade, fez campanha corpo a corpo, com pouco recursos, baseando a ação em material impresso e conversas. “Imbituva possui 36 comunidade de interior, além da cidade e dos bairros. A estratégia foi conversar com as lideranças, levar material impresso e utilizar as redes sociais”, conta, dizendo que sua principal luta será o resgate dos conselhos: de segurança, de saúde, da juventude, idosos, como canal de participação. “Vamos mostrar ao jovem, como jovem que somos, que podemos ser instrumentos de transformação, levando em conta a Doutrina Social da Igreja”.

Maurício Kusdra, 25 anos, é graduado em Filosofia, acadêmico de Sociologia e especialista em Educação e Gestão. Foi o quarto mais votado em Castro, pelo Partido Social Democrata Cristão, com 1.280 votos. Há um ano e meio participa com outros jovens de um grupo de reflexão ética e política. “Vou trabalhar pela juventude que há muito foi deixada de lado, e, sobretudo carregar os valores cristãos, em especial, a ética na política, que está em falta. Vamos mostrar a nossa força, por nossa capacidade em prol dos outros e fazer a diferença na sociedade”.

Felipe Ramón dos Passos, 26 anos, tecnólogo em Automação Industrial foi eleito pelo PSDB com 5.992 votos, o segundo mais votado em Ponta Grossa. “Minha campanha foi pautada na conscientização para que os eleitores pudessem perceber as direções dos candidatos, propostas, história e se iam de acordo com os valores cristãos e não eram corruptos”, cita, dizendo que seu trabalho terá como plataforma saúde, acessibilidade e segurança. “Se você quer fazer a diferença tem que começar por si, levando em conta os valores cristãos, o que aprende na Igreja e o discernimento que leva no coração, que isso seja mostrado na política”, destaca ele, que ficou paraplégico em janeiro 2013 depois de um assalto. Integrante de um grupo de jovens, ele mantinha em casa o dinheiro arrecadado para a viagem a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, ocasião em que acabou conhecendo e falando com o (São) Papa João Paulo II.

Todos são unânimes em afirmar que foram eleitos por cristãos e não cristãos e que, por isso, querem legislar para o povo e com Deus, levando em conta os dogmas da religião, os princípios da fé cristã e exercer o mandato, sobretudo, com ética. “Muito mais que moralistas, temos que ser presença de Deus dentro da Câmara”, resumiu Maurício Kusdra.

A estudante universitária Jully Caroline Martins Cunha, de 17 anos, considera muito importante, principalmente para os jovens que estão dentro da Igreja, a eleição de políticos católicos. “Agora, sabemos que temos alguém que podemos contar lá dentro. Pretendo acompanhar o trabalho e cobrar porque a política só é feita por causa do povo e, para ser melhor, o povo tem de participar, estar presente”, enfatizou.

 

Cláudia Carneiro – Diocese de Ponta Grossa

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