Na última quinta-feira (11) o clero da Diocese de Umuarama se encontrou no anfiteatro Padre Manoel José Soares, na Paróquia Catedral, para reunião geral. Todas as Paróquias da Diocese estiveram representadas por bispo emérito, padres, párocos, vigários e diáconos e também participou da reunião o bispo diocesano Dom João Mamede.
Na pauta da discussão estava, entre outros, a implantação da Pastoral Judiciária, conforme ordem do Papa Francisco. Para assessorar a reunião estava o padre Dirceu Alves do Nascimento, da Arquidiocese de Maringá.
Em suma, a Pastoral Judiciária tem como meta acolher os casais de segunda união e as pessoas separadas. De acordo com o padre Dirceu, a Igreja precisa dar atenção e carinho para os fiéis que se encontram nessas situações.
“O Papa pede para irmos ao encontro deles para acolhê-los, proporcionar a eles uma vida de caminhada de Igreja. Eles não são excomungados, eles não são excluídos, eles são, sim, amados pela Igreja, portanto eles precisam ser reinseridos na vida da catequese, das pastorais, da liturgia”, explica o assessor. “Eles podem não só participar, como atuar, coordenar, mesmo se vivem nova união ou separados, são membros da Igreja”, completa.
Para o bispo Dom João Mamede, a Igreja precisa ir ao encontro dessas pessoas. “Primeiro [separados ou segunda união] estão feridos por causa do fracasso no amor. Depois estão machucados também pela Igreja que às vezes acha que eles ‘não são muito certos’. Então não é só ficar esperando que eles venham. Nós temos que correr atrás. É isso que o Papa quer”, salientou Dom Mamede.
NULIDADE MATRIMONIAL– Outra orientação do Papa é para que haja mais agilidade nos processos de nulidade matrimonial, quando houver elementos que configurem a situação. Todavia, segundo o vigário judiciário da Câmara Eclesiástica da Diocese de Umuarama, padre José Fernandes Lucena, é importante não confundir a nulidade com o divórcio.
“Depois da promulgação do Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus (O Senhor Jesus, manso juiz), do Papa Francisco, as pessoas têm procurado a Câmara Eclesiástica para pedir uma orientação, mas é importante que fique claro: na Igreja o casamento é indissolúvel, o que acontece é que podemos verificar se o casamento é válido ou nulo. Se o casamento é válido ele só será dissolvido com a morte de um dos cônjuges. Se for nulo então ele poderá ser declarado como tal e a pessoa em questão poderá contrair um novo casamento”.
Ao longo da reunião geral o assessor, padre Dirceu, explicou que os processos de nulidade, nesses casos, podem ser julgados de forma mais rápida, seguindo a ordem do Papa Francisco e com apoio da Pastoral Judiciária.
“Outro ponto dessa pastoral, além da acolhida, é ver aqueles casos em que existe a possibilidade de nulidade matrimonial. Então, hoje, o Papa criou um processo mais breve perante o bispo. Se o padre, a pastoral, as pessoas que estão ali acompanhando esse casal percebem que existem elementos para que esse processo aconteça, então eles podem ajudar esses casais a montar o pedido e encaminhar ao tribunal para que haja uma resposta o quanto antes”, diz o padre.
Conforme Dom Mamede, ir ao encontro dos separados e casais de segunda união é uma maneira de garantir direitos a eles. “O Papa quer que a gente corra atrás e vá lá ver como foi esse acontecimento familiar [separação], será que não tem elementos para declarar uma nulidade? Isso vai encorajar as pessoas a buscarem o que eles têm direito na Igreja. Eu gosto de comparar, por exemplo: Domingo eu crismei cem jovens de uma comunidade. Eu não precisei pedir para nenhum pneumatólogo, doutor da teologia do Espírito Santo, para avaliar se aqueles meninos e meninas estavam aptos a receber a Crisma, o Espírito Santo. A catequista acompanhou, o padre acreditou que estão prontos e eu crismei. Quer dizer, está tudo entre nós. E no caso dos matrimônios será cada vez mais assim”, menciona.
IMPLANTAÇÃO – A Pastoral Judiciária será implantada gradativamente na Diocese de Umuarama, contudo o bispo já orientou os párocos quanto à necessidade de desde já começar este trabalho. “Nós imediatamente não temos as estruturas necessárias para deslanchar tudo isso, mas é para este sentido que nós vamos caminhar. Este é o nosso rumo e agora temos de nos ajeitar, preparar pessoas, criar as estruturas, os meios necessários para cada vez mais acolhermos os casais de segunda união e os casais em dificuldades no matrimônio”, instrui o bispo.
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