No próximo domingo, dia 06 de dezembro, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Guarapuava, haverá um encontro de Preparação para Campanha da Fraternidade. O evento terá início às 08 horas da manhã com palestras, orações e direcionamentos sobre o assunto “A Casa Comum”.

Todos estão convidados e as inscrições podem ser feitas com Júlio Cesar Pereira, na Ação Evangelizadora, através do telefone: 42 3626 4348, ramal 200, ao custo de R$ 10,00 por pessoa.

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

Com esta citação do Livro de Amós, 5,24, a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 discute o tema: “A Casa Comum: Nossa responsabilidade”. Falando com profundidade dos problemas ambientais existentes no mundo, a campanha visa não só alertar às pessoas quanto aos perigos naturais por conta da degradação ambiental, mas também, tem a intensão de buscar saídas e soluções sustentáveis para os problemas existentes, além de prevenir que catástrofes aconteçam.

Ao longo do tempo, com o notável crescimento de degradações, muitas esferas da população têm se mobilizado na tentativa de encontrar soluções permanentes e sustentáveis para que o meio ambiente, a “Casa Comum”, possa, por fim, ser bem cuidada, valorizada.

A Região Sul do Brasil está entre as que apresentam melhores índices em se tratando de saneamento básico e cuidados com a natureza, de acordo com pesquisas. No entanto, os mesmos pesquisadores destacam que a situação está longe de ser confortável. O Estado do Paraná apresenta uma perda de 33,35 por cento de toda a água tratada. Isto significa que um terço da água que seria disponibilizada para consumo, depois de passar por longo processo de tratamento é simplesmente jogada fora. O Estado do Amazonas é o que apresenta a maior perda, atingindo 76,54 por cento de desperdício de toda a água tratada.

Neste processo de perdas, não é apenas a água que literalmente vai pelo ralo. Nesta onda crescente de desperdícios, há custos altíssimos de energia usada para a captação e tratamento desta água, de igual forma, custos astronômicos com os produtos usados para que esta se torne potável, além dos salários dos empregados e impostos. Isto, sem contar, que a água desperdiçada vai para o esgoto que também precisa ser tratado ou, pelo menos deveria, para que não ocasione novos problemas, estes, de saúde pública.

Mesmo considerada uma cidade que está acima da média em se tratando de acesso ao saneamento básico, Guarapuava também amarga muitos problemas como a falta de cuidado com as redes de esgoto, por exemplo, e a destinação incorreta do lixo que acaba por obstruir redes de esgoto e galerias pluviais. A equipe de reportagem do Centro Diocesano de Comunicação (CDC) foi conversar com o gerente regional da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) João Edson de Lima para saber dele como está a situação na cidade e quais os projetos futuros em se tratando de saneamento básico.

Segundo João, a cidade de Guarapuava possui mais de 46 mil ligações de água e coleta 78,28% do esgoto produzido pelas residências e empresas. Ele destaca, no entanto, que 100% do esgoto coletado é tratado. A água resultante deste esgoto é devolvida aos mananciais sem nenhuma possibilidade de dano ao meio ambiente. Também há projetos para os próximos anos de ampliação das ligações de esgoto, segundo o gerente.

“A Sanepar tem total preocupação com o meio ambiente e há muitos anos vem fazendo o trabalho um trabalho educativo junto à população. O esgoto coletado é 100% tratado para então, ser devolvido ao rio. Os resíduos obtidos com o tratamento, após longo processo de industrialização, são transformados em adubo orgânico. Este adubo é destinado aos produtores rurais através cadastramento prévio que lhes dá a possibilidade de receber o mesmo”, destacou João.

O gerente também evidenciou o acompanhamento porque passa o material antes deste ser entregue ao agricultor para que aplique nas lavouras. Segundo ele, as normas ambientais são seguidas à risca para que o processo transcorra de forma transparente e surta efeito positivo para a comunidade. “O resíduo, antes de se tornar adubo orgânico, passa por um longo processo de tratamento e de industrialização. Este material é todo preparado e acompanhado por técnicos. Durante este período, normas ambientais muito rígidas precisam ser seguidas. Destacamos que a Sanepar cumpre com todas estas regras. Atualmente há uma grande fila de espera por parte de produtores rurais para receber este adubo que é distribuído gratuitamente. Os resultados nas produções após a aplicação do adubo na terra têm sido fantásticos”, comemorou João Edson.

A Sanepar é parceira, em Guarapuava, da Campanha da Fraternidade e disponibilizou seus técnicos e ambientalistas para ministrar palestras sobre o assunto nos eventos organizados pela instituição.

O secretário municipal do meio ambiente de Guarapuava, Celso Alves de Araújo também destacou os cuidados que as pessoas devem ter para com o meio ambiente. Ele salienta que educação, aliada a boas práticas diárias entre as famílias, podem oferecer ótimos resultados. Em entrevista, Celso enfatizou o trabalho preventivo e as ações educativas como pontos principais a serem levados em consideração nesta constante campanha em prol do bem comum e que precisa ser cuidado: o espaço em que vivemos.

Celso falou dos trabalhos desenvolvidos pela Secretaria junto à comunidade, com destaque para a educação ambiental de crianças e adolescentes. De acordo com o secretário, são estas pessoas as disseminadoras das boas práticas ambientais do futuro. “Desenvolvemos um trabalho voltado para a educação e prevenção. Tanto aqui no Parque das Araucárias, como no Salto São Francisco, nós desenvolvemos ações que visem mostrar os passos corretos a serem dados em favor do meio ambiente. Professores e alunos do município participam dos projetos da prefeitura e saem preparados para respeitarem os espaços em que vivem”, frisou Celso.

O Secretário foi enfático ao destacar a importância das parcerias no processo de cuidados com o meio ambiente. De acordo com ele, ninguém faz nada sozinho e os projetos, além de implantados, precisam ser disseminados para que se tornem culturais.

Dentre os trabalhos que a Secretaria do Meio Ambiente de Guarapuava vem desenvolvendo e que, segundo o secretário, tem surtido muito efeito, destacam-se a coleta seletiva do lixo, a implantação do Aterro Sanitário e os projetos desenvolvidos junto aos pequenos produtores rurais e comunidades quilombolas. Para ele, a aceitação por parte da população dos projetos é o primeiro passo para que os resultados sejam satisfatórios. “Nestas comunidades de pequenos agricultores ou de quilombolas há pessoas, geralmente jovens, treinados para atuarem junto aos moradores, no sentido de orientarem os mesmos quanto ao manejo sustentável e uso correto de defensivos, bem como, o descarte consciente das embalagens, por exemplo. São pessoas da própria comunidade que se envolvem nestes trabalhos. Também temos nosso Aterro Sanitário que é referência regional e possibilita a destinação correta dos resíduos. Não podemos esquecer da coleta seletiva de lixo que atende a uma parcela da população, com possibilidade de crescimento, além do trabalho dos catadores, que são verdadeiros operadores ecológicos”, pondera Celso.

Cuidar da Casa Comum é tarefa de todos. A Campanha da Fraternidade deste ano deve ser ponto de partida para que, como está escrito no Texto Base, “Temos a tarefa de sermos jardineiros e jardineiras de um jardim que reflete a harmonia desejada por Deus[…]”.

Através de parcerias e de muito trabalho, a Diocese de Guarapuava fará da Campanha da Fraternidade de 2016 um ponto de partida para que os projetos que visem o bem comum e os cuidados com a natureza se tornem permanentes junto à população.

Fonte: Jossan Karsten

LITURGIA DIÁRIA

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