A 45ª Assembleia da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) do Regional Sul 2 da CNBB foi realizada entre os dias 26 e 29 de janeiro, no Seminário São Paulo VI, em Londrina (PR). O encontro reuniu 73 participantes, entre formadores e formandos, de todas as 18 dioceses do Paraná, consolidando-se como um espaço de comunhão, escuta e discernimento sobre os desafios atuais da formação presbiteral.

Com o tema “A formação presbiteral no contexto digital: possibilidades e desafios”, a Assembleia teve como assessor o bispo diocesano de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, dom Valdir José de Castro. O foco da reflexão esteve nos impactos positivos e negativos do ambiente digital sobre as dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral da formação. A constatação comum foi a de que a realidade digital é irreversível e precisa ser assumida criticamente pela Igreja, tanto como campo de missão quanto como espaço que exige critérios, limites e maturidade.
A programação teve início na segunda-feira, dia 26, com a celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Londrina (PR) e presidente do Regional Sul 2 da CNBB, dom Geremias Steinmetz. Ao longo dos dias, dom Valdir conduziu momentos de reflexão, intercalados com trabalhos em grupo, realizados separadamente entre formadores e formandos. As atividades favoreceram partilhas francas sobre o cotidiano dos seminários, a missão formativa e os desafios impostos pelo ambiente digital.
Durante a Assembleia, também foram eleitos o padre Amilton Sampaio, da diocese de Cornélio Procópio (PR), como secretário, e o padre Cristian Majolo Boniatti, da diocese de União da Vitória (PR), como tesoureiro da OSIB Regional. O encontro contou ainda com a presença constante do bispo referencial da OSIB no Paraná, dom Sergio de Deus Borges, bispo de Foz do Iguaçu (PR). Ao final, foi manifestado agradecimento aos padres José Alir, da diocese de Guarapuava, e Claudemir Caprioli, da arquidiocese de Cascavel, que deixaram a equipe de presidência da OSIB, após concluírem seu serviço pastoral nos seminários.
Testemunho dos participantes
Para o reitor do seminário menor e propedêutico Nossa Senhora Medianeira, da diocese de Foz do Iguaçu (PR), padre Thiago Manoel Gomes, a assembleia cumpre um papel fundamental de integração e amadurecimento do processo formativo no Regional. Segundo ele, o encontro fortalece a comunhão entre formadores e formandos e favorece o diálogo permanente sobre a formação presbiteral. “É um tempo de estreitamento de laços e de abertura ao diálogo em busca do aperfeiçoamento constante da formação presbiteral em nosso regional”, destacou.
O reitor do seminário propedêutico Mãe da Divina Graça, da diocese de Ponta Grossa (PR), padre Daniel Farago, ressaltou o valor da troca de experiências entre as dioceses. Participando pela primeira vez da assembleia como formador, ele afirmou sair fortalecido pela partilha e pelo tema abordado. “Um encontro como esse edifica a missão e faz perceber que não estamos sozinhos”, afirmou, ao sublinhar também a urgência de a Igreja avançar no ambiente digital como espaço de evangelização.
Na perspectiva dos formandos, o seminarista do 3º ano da etapa da configuração, da diocese de Palmas–Francisco Beltrão (PR), Bruno Henrique Brzezinski Michels, destacou o caráter enriquecedor da assembleia para sua formação. Ele apontou a pertinência do tema diante das transformações tecnológicas atuais. “A Igreja reconhece nos meios digitais um canal eficaz para anunciar o Evangelho”, afirmou, ressaltando a necessidade de repensar a formação presbiteral à luz da inteligência artificial.
Já o seminarista do 4º ano de teologia, da diocese de Apucarana (PR), Guilherme de Sousa dos Passos, aprofundou a reflexão crítica sobre os impactos da digitalização na vida humana e espiritual. Para ele, a discussão proposta pela assembleia toca um dos pontos mais sensíveis da atualidade, exigindo discernimento e critérios claros. “Até que ponto a Igreja pode utilizar-se da inteligência artificial sem ferir seus princípios, sem atrapalhar sua missão?”, questionou, ao destacar a importância de limites que preservem a centralidade da pessoa humana e da experiência concreta da fé.
As reflexões apontaram que a tecnologia traz praticidade e novas possibilidades pastorais, mas não pode substituir o encontro pessoal, o diálogo e a vida comunitária. O uso da inteligência artificial e das mídias exige discernimento ético e fidelidade à missão da Igreja, para que a presença digital seja instrumento de anúncio do Evangelho e não fator de isolamento ou superficialidade.
A 45ª Assembleia da OSIB reafirmou, assim, o compromisso da Igreja no Paraná com uma formação presbiteral atenta aos sinais dos tempos, capaz de dialogar com a cultura digital sem perder de vista os fundamentos do Evangelho e da missão evangelizadora.
Karina de Carvalho Nadal – Jornalista da CNBB Sul 2




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