quarta-feira, 21 fevereiro 2024

Testemunho – Padre albanês foi condenado à morte

Pe-albanesTestemunho contado ao Papa Francisco dia 21.09.2014

(Um padre albanês foi condenado à morte pelo regime comunista e ficou 27 anos preso em vários campos de concentração e trabalhos forçados).

Eu sou o padre Ernest Simoni. Tenho 84 anos. Em dezembro de 1944, chegou na Albânia o Partido Comunista ateu, que tinha como princípio eliminar o clero e a fé. Na realização deste programa começou imediatamente a prisão, a tortura e as execuções de centenas de sacerdotes e leigos, por sete anos consecutivos, derramando o sangue de inocentes, alguns dos quais, antes de serem fuzilados gritaram “Viva Cristo Rei”.

Em 1952, o governo comunista impulsionado por Stalin de Moscou tentou reunir os sacerdotes que ainda estavam vivos, para lhes permitir exercer livremente a sua fé, com a condição de que rompessem com o Papa e o Vaticano. Mas os padres não aceitaram.

Eu continuei os estudos no Colégio dos Franciscanos por dez anos (1938-1948). Nossos superiores foram fuzilados pelos comunistas, e por esta razão eu fui forçado a concluir meus estudos de teologia clandestinamente. Depois de quatro anos, fui levado para o exército, a fim de me fazerem desaparecer. Passei dois anos naquele lugar. Ali se sofria muito mais do que na prisão. Mas Deus me salvou e em 07 de abril de 1956 fui ordenado sacerdote. No primeiro domingo depois da Páscoa celebrei a primeira missa. Por oito anos e meio exerci o ministério sacerdotal.

Os comunistas, no entanto, decidiram que eu deveria mesmo desaparecer. Assim, em 24 de dezembro de 1963, depois da missa da noite de Natal na aldeia de Barbullush, vieram quatro agentes de segurança e me apresentaram o decreto de prisão e execução. Eles me colocaram algemas nas mãos, amarraram meus braços pelas costas e com chutes me jogaram dentro do carro deles. Levaram-me numa sala de isolamento onde me deixaram por três meses em uma condição desumana.

Depois disse me conduziram amarrado para o interrogatório. O chefe me disse: “Você vai ser enforcado como um inimigo, porque você disse ao povo que todos morrerão por Cristo, se for necessário”. Apertaram as algemas em seus pulsos tão fortemente que eu sentia meu coração parando de bater, e eu quase morri. Eles queriam que eu falasse mal da Igreja e da hierarquia da Igreja. Eu não falei. Torturaram-me até o limite da morte. Ao me verem praticamente morto, me liberaram, mas Deus queria que eu continuasse vivo.

Na cela de isolamento colocaram um prisioneiro para me espionar. Ele falava mal do partido comunista e queria que eu fizesse o mesmo. Respondi que Cristo nos ensinou a amar os nossos inimigos e a perdoá-los, e que devemos trabalhar para o bem do povo. Minhas palavras foram levadas aos ouvidos do ditador, que depois de cinco dias me livrou da sentença de morte. A condenação foi substituída por 18 anos de prisão em uma mina. Depois de ser libertado da prisão fui condenado novamente, desta vez a trabalhos forçados e por 10 anos (ou seja, até a queda do regime comunista), trabalhei nos canais de esgoto.

Durante o período de prisão celebrei a missa de cor em latim, assim como atendi confissões e distribuí comunhão de modo escondido.  Com a vinda da liberdade religiosa Deus nos ajudou a servir o povo, a reconciliar muitas pessoas e afastar o ódio dos corações dos homens.

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