quinta-feira, 22 fevereiro 2024

Testemunho – Infelizmente existe a Guerra no mundo

banner-burundiTestemunho dado por sacerdotes do Burundi no encerramento do ano sacerdotal, dia 09 de junho de 2010, no Vaticano, diante de milhares de padres.

Padre Pasteur: Somos do Burundi, na África. Entrei no seminário aos 13 anos. Era o ano de 1992. Pouco depois, explodiu a guerra civil em nosso país entre as duas etnias: Hutus e Tútsis. Também no seminário éramos das duas etnias. Ouvíamos as coisas horríveis que estavam acontecendo em nosso país, mas isso não nos assustava. Ajudados pelos nossos formadores e pelo Espírito de Deus, procurávamos viver na unidade e na fraternidade. Líamos o Evangelho e o colocávamos em prática. Assim, o Seminário Menor de Buta era um pequeno paraíso.

No dia 29 de abril de 1997, os rebeldes avançavam na direção do seminário. Como nos comportarmos no caso de um ataque? ‘Juntos’, dissemos: ‘Permaneceremos unidos’. Na madrugada seguinte, às cinco horas, invadiram o seminário e o nosso dormitório. Começaram a atirar por todo o lado, gritando: ‘Os hutus de um lado e os tútsis de outro!’. Não quisemos nos dividir; continuamos juntos.

Bandeira BurundiPadre Ildefonso: Uma bala feriu a minha perna direita; caí debaixo da cama. De repente, houve uma grande explosão: lançaram uma granada sobre o grupo. Com a explosão morreram muitos seminaristas. Continuaram a atirar entre os vivos e os mortos e outras balas me atingiram. No meio daquele inferno, os meus amigos morriam, dizendo: ‘Deus, nosso Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Alguns, como Pe. Pasteur, começaram a enfaixar as feridas dos outros, sem pensar em si mesmos. Nunca vou esquecer do que me disse um dos 42 seminaristas assassinados, Charles, minutos antes de morrer: ‘Temos que permanecer unidos!’. Ainda hoje essa sua frase é, para mim, um testamento.

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