quarta-feira, 21 fevereiro 2024

Testemunho – Amazônia: ambientalistas de coração

amazoniaRaimundo é cabelereiro. Edilena é esteticista e funcionária pública. Interessar-se pelo meio ambiente não é exatamente o foco de competência deles. Mas diante da invasão ambiental e cultural de que foram vítimas, e junto com outras famílias se perguntaram: Qual herança queremos deixar aos nossos filhos? Como manifestar o nosso ponto de vista a uma sociedade que parece não perceber os perigos dessa degradação? Como caminhar contra a corrente?

Casados há 29 anos, com três filhos e três netos, moram em Abaetetuba (Pará), uma ilha que comporta também os municípios de Igarapé-Miri, Moju e Barcarena, cidades famosas na década de 1980, quando se tornaram sede de indústrias e mineradoras. Muitas famílias deixaram os campos para trabalhar nas multinacionais, acomodando-se sem critério nas periferias e alimentando novas levas de pobreza, na ilusão de um bem-estar que nunca alcançaram.

O impacto dessas indústrias sobre o ambiente foi, no mínimo, devastador. Teve início o corte indiscriminado dos açaizeiros para a extração do palmito destinado à exportação, privando assim as famílias de um item essencial para a sua nutrição. Os resíduos industriais jogados nos rios causaram uma diminuição visível de peixes e mariscos e a poluição atmosférica reduziu drasticamente a produção de fruta.

Não era fácil entender o que fazer. Mas Raimundo e Edilena contavam com um elemento que faria a diferença: a unidade com outras famílias e a força de deixar-se conduzir por Deus em suas escolhas.

Tomaram juntos a decisão de transformar, com recursos próprios, uma área de pasto de 34 hectares, em um pomar. Ao escolher as árvores buscaram as variedades típicas da região com maiores riscos de extinção, algumas que os mais jovens já nem conheciam. Trabalharam arduamente, mas com grande entusiasmo, e criaram assim, em Abaetetuba, uma área de preservação da biodiversidade local.

Hoje o pomar produz frutos comestíveis de 166 espécies nativas e de duas espécies africanas, compondo uma coleção única no seu gênero, uma riqueza florestal que se apresenta como uma alternativa à futura sustentabilidade da região.

(Fonte: www.focolares.org.br)

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