quarta-feira, 21 fevereiro 2024

Testemunho – A nossa vida é um verdadeiro lava-pés

lava-pesÉramos seis irmãos. Meus pais me para mandaram trabalhar com uma família conhecida de São Paulo, a fim de ajudar a sustentar economicamente a nossa casa. Eu tinha 15 anos. Depois de cinco anos voltei, pois meus pais estavam numa crise conjugal. Arrumei um trabalho perto de casa, numa churrascaria. Ali conheci o Paulo, um rapaz de pele negra, que viria a se tornar meu marido. Meu pai, quando soube que eu estava namorando um negro ficou com muita raiva, jogou minhas coisas para fora de casa e disse que eu não era mais sua filha. Eu e o Paulo tivemos que fugir, inclusive, porque meu pai era policial e poderia ser perigoso para nós.

O Paulo era caminhoneiro. No início viajei com ele, mas quando nasceram os filhos fiquei mais em casa. Em 1986, viemos para Colombo, região metropolitana de Curitiba. Compramos uma casa de madeira e depois fomos melhorando. Em 1997, o Paulo, homem forte, teve um grave AVC. Fiquei com ele quatro meses no hospital, dia e noite, pois não tinha ninguém para me substituir. Os filhos, que já eram grandinhos, ficaram com uma tia. A empresa que o Paulo trabalhava nos ajudou muito.

O Paulo foi trazido do hospital para casa meio vivo, meio morto. No início, os tratamentos médicos eram contínuos; depois diminuíram, mas a fisioterapia continua até hoje. Ele usa fralda e não recuperou a fala. São 17 anos acamado. Mesmo nesses anos eu nunca deixei de realizar trabalhos na Igreja.

A firma onde o Paulo trabalhava decretou falência e não tivemos mais sua ajuda. Desde então trabalho de diarista. Minhas filhas casaram com dois rapazes, ambos evangélicos e eu já não podia mais rezar a Ave Maria em minha própria casa. Eles não queriam que as crianças sequer fossem batizadas na Igreja Católica. Ficou difícil, mas a fé sempre me sustentou. Na convivência em casa, fui evangelizando os genros. Eles quiseram casar na Igreja e então o padre da paróquia pediu que fosse feita a catequese para eles. Convidamos também seus amigos; formou-se um grupo de doze pessoas. Na varanda de minha casa dei a eles a catequese. Tempos depois meus genros receberam a Eucaristia, a Crisma e casaram na Igreja. Hoje rezamos com eles a Ave Maria dentro de minha casa e é tão bom!

Quando o Paulo teve AVC eu tinha 33 anos de idade. Nunca pensei em ter outra pessoa. Sempre olho para Jesus na cruz: o que parecia derrota se transformou em ressurreição. Gosto de imaginar Jesus lavando os pés dos discípulos. Inspiro-me nele. A nossa vida é um verdadeiro lava-pés (Gileuza Aparecida da Silva Alves).

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