A “Peregrinação das juventudes” é um evento anual que reúne jovens de todas as dioceses do Paraná para peregrinar até um santuário Mariano. No ano passado, essa peregrinação reuniu cerca de 1.000 jovens. Este ano, a peregrinação até o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá-PR, estava marcada para os dias 5 e 6 de dezembro, mas devido a pandemia, os padres assessores diocesanos da juventude decidiram cancelar o evento.

“Quando percebemos que a realidade da pandemia ia se estender, no início do segundo semestre, decidimos cancelar a peregrinação. Isso para preservar a vida de cada jovem e também daqueles que estariam em contato nos trabalhos de organização do evento”, explicou padre Gustavo Florêncio, assessor regional da Pastoral Juvenil.

Como a peregrinação sempre está relacionada a um santuário mariano, surgiu a ideia de unir os jovens, mesmo que virtualmente, pela oração do rosário, uma prática comum das peregrinações. “Achamos que seria interessante unir a devoção a Maria e fazermos a peregrinação de um jeito diferente, rezando cada um de sua casa. Essa foi a forma que encontramos de estarmos juntos, mesmo que distantes”, contou o padre Gustavo.

Como gesto concreto dessa iniciativa, a Pastoral Juvenil publicou um vídeo, com jovens das 18 arqui/dioceses, das eparquias ucranianas e de duas congregações religiosas, rezando o rosário. Ele está disponível no Canal do Youtube do Regional Sul 2 da CNBB.

“A proposta foi bem acolhida pelos jovens, tanto que todas as dioceses gravaram, cada um do seu jeito e na sua realidade, mas todos participaram para estar juntos, unidos, espiritualmente. Apesar do desejo de estar juntos, eles entenderam bem e compreenderam que a oração era a melhor forma de estar junto neste momento”, contou padre Gustavo.

O vídeo, além de ser um testemunho de evangelização pela oração dos jovens, também é catequético. Antes da oração, Dom Amilton Manoel da Silva, bispo de Guarapuava-PR e referencial para a juventude no Paraná, fez uma catequese sobre Marial.

Dom Amilton Manoel da Silva

“Um vírus, uma pandemia, nos impediu que, neste ano, nos reuníssemos de forma presencial na casa da Mãe. Mas se o discípulo a levou para sua casa e a casa de Maria passou a ser, depois do episódio da cruz, a casa do discípulo […], então, nós podemos, hoje, não ir à casa da Mãe, mas ir a outras tantas casas, como, por exemplo, o seu coração. E mesmo na distância física, nos juntarmos, corações e almas, num louvor bonito à Mãe de Deus, porque temos a certeza que quando nos voltamos para Maria, nós glorificamos a Jesus, a Trindade Santa”, disse Dom Amilton.

Os jovens no tempo de pandemia

Segundo padre Gustavo, o tempo de pandemia trouxe alguns desafios, dificuldades e também gerou muita criatividade entre a juventude. Se por um lado, muitos jovens estão vivendo de forma irresponsável a pandemia, desrespeitando o que as autoridades sanitárias recomendam, por outro, muitos jovens católicos, envolvidos na pastoral tem tido uma atitude extremamente consciente. “Eles têm feito tudo que é necessário para se manter protegido e proteger suas famílias. São jovens conscientes, coerentes, que estão na caminhada a algum tempo e não perderam a realidade dos grupos, mesmo que de forma virtual. Estão encarando como um desafio, uma proposta de superação, de reinventar-se, de reelaborar as formas de evangelização”, explicou.

Mesmo para os jovens que já são habituados aos meios virtuais, que já nasceram numa cultura digital, o distanciamento social afetou bastante, especialmente, no nível psicológico. “O jovem sente a necessidade do contato, da partilha, do encontro, da vivência em comunidade. A falta dos encontros tem causado distanciamento, solidão e, para alguns, esfriamento na fé e até mesmo uma frieza com relação as questões da igreja”, ponderou padre Gustavo.

Muitos grupos de jovens também foram fortalecidos neste tempo de pandemia. Surgiram iniciativas novas de evangelização e muitos frutos. “Alguns jovens, que nos grupos não tinham liderança, pelos meios de comunicação perderam a vergonha ou até mesmo a resistência e começaram a produzir material de estudo bíblico, de evangelização, de falar a vida de santos, partilhar a Palavra de Deus e várias formas de incentivar os outros a rezarem de diversos modos. Percebemos que muitas formas de evangelização surgiram por iniciativa deles”, contou padre Gustavo.

(Karina de Carvalho – Assessora de Comunicação CNBB Sul 2)

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