Dom Edmar Peron, bispo de Paranaguá, fala sobre a importância da Semana Santa

Dom Edmar Peron, Bispo de Paranaguá, fala sobre a Semana Santa e a importância dos fiéis participarem ativamente.

Após a abertura da Semana Santa, celebrada no Domingo, 14, com a Procissão de Ramos, no Centro Histórico de Paranaguá, e a Santa Missa com o evangelho da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Catedral Diocesana Nossa Senhora do Rosário, Dom Edmar Peron respondeu algumas questões sobre este período especial para a Igreja Católica.   

PASCOM: Porque a Semana Santa é aberta com uma caminhada, benção de Ramos e a narrativa da Paixão?

Dom Edmar:Essa tradição da Igreja tem suas raízes nos textos do Novo Testamento. Os quatro Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João – apresentam Jesus entrando em Jerusalém, montado em um jumentinho e sendo aclamado pelo povo, que agitava seus ramos e gritava: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Assim, a Igreja, por uma tradição que foi se difundindo a partir das comunidades cristãs de Jerusalém, abre a Semana Santa com uma jubilosa procissão em honra de Cristo, rei-redentor. Contudo, aquele que foi aclamado “Bendito” logo depois foi rejeitado: “Crucifica-o”. Por isso, na missa, o Evangelho anunciado é o relato da Paixão do Senhor. O hino a Cristo, no início da Carta de são Paulo aos Filipenses, 2,6-11, usado na Liturgia da Palavra deste dia, sintetiza essa dupla dimensão do seu mistério pascal: o rebaixamento e a exaltação.

PASCOM: A semana Santa tem uma série de celebrações e atividades, o cristão deve participar em todas?

Dom Edmar:Normalmente, em nossas famílias, ninguém fica de fora de uma festa importante, preparada com antecedência. Parece-me estranho, pois, que a família de Deus, durante a Quaresma, preparasse a Festa da Páscoa, mas dela não participasse. Nesse caso, não falaria de “dever” mas, sim, de “direito” de todos mergulharmos mais profundamente na salvação, celebrando o Tríduo Pascal. Esse Tríduo nos coloca em comunhão com Cristo, apresentado a nós como o Crucificado, o Sepultado, o Ressuscitado. Para celebrar tal mistério pascal– único e, ao mesmo tempo, tríplice – a Igreja tem várias celebrações e atos de piedade: Missa da Ceia do Senhor (quando se realiza o lava-pés) e Adoração do Santíssimo Sacramento (noite da Quinta-feira Santa);Celebração da Paixão do Senhor e Via-Sacra (Sexta-feira Santa), Orações durante o dia em memória do Senhor Sepultado (Liturgia das Horas, Sábado Santo de manhã); Vigília Pascal (no início do Domingo, isto é, no sábado à noite, pois quando chega a noite, o sábado termina e tem início o Domingo); Missas do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor. É como se fossem dias de um grande e solene retiro espiritual, acessível a todos pela participação atenta, ativa e consciente na Liturgia, no jejum e na abstinência.

PASCOM: O Papa Francisco, os cardeais, os bispos, enfim, todos os sacerdotes celebram todas as etapas da Semana Santa e a Páscoa da Ressurreição. Como é esta Semana sob o ponto de vista do Sacerdote Edmar Peron?

Dom Edmar: Quando eu criança, muitas vezes fui levar comida (“almoço”) para o meu pai que estava na roça,trabalhando desde o clarear do dia. Quando chegava lá, eu me sentava perto dele e podia descansar à sombra de alguma pequena árvore e ficávamos conversando. Depois, refeito pela água da moringa e a conversa, voltava feliz pra casa. Assim é celebrar a Liturgia desses dias da Páscoa: refazer junto de Deus e com os irmãos e irmãs, as forças que vão se gastando ao longo do caminho. E, então, retomar, feliz, minha vida e missão.

PASCOM: Poderia nos deixar uma mensagem para ajudar a viver bem as celebrações da Semana Santa e da Páscoa?

Dom Edmar:Em primeiro lugar, é preciso desejar seguir de perto os passos de Jesus. Para que isso aconteça precisamos ouvir com atenção as leituras da Palavra de Deus – que nesses dias são muitas e longas! – e participar sem pressa das Celebrações. Depois, continuar o empenho na oração pessoal, no jejum e na esmola. Acima de tudo, crer na Ressurreição de Cristo e na nossa, na vitória da vida, alegrando-nos com toda pessoa e grupo que defenda a vida, seja na família ou na sociedade, na qual as políticas públicas deveriam garantir vida para todos os cidadãos.

(PASCOM – Diocese de Paranaguá-PR)

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