Prioridade do Regional Sul 2

RENOVAÇÃO PAROQUIAL POR UMA PARÓQUIA DISCÍPULA, MISSIONÁRIA E PROFÉTICA (2011 – 2015)

Aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil no Regional Sul II 

“No espírito de busca de uma vivência cada vez maior da comunhão entre as Igrejas Particulares e de efetivação da pastoral orgânica e de conjunto, as Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil propõem o objetivo geral. À luz dele, a comunhão eclesial interpela e estimula cada Igreja Particular a elaborar seus próprios objetivos e planos pastorais, sem prejuízo de sua autonomia, em sintonia com os planos pastorais do Conselho Episcopal Regional e as prioridades da Assembleia Regional de Pastoral” (DGAE, 132).

Objetivo Geral

“Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo”.

Em espírito de comunhão, o Regional Sul II assume o objetivo definido pela Conferência Nacional dos Bispos para toda a Igreja no Brasil. Nós, Igreja no Paraná, sentimo-nos impulsionados a proclamar a mensagem do Evangelho para todos os povos e, consequentemente, o compromisso para com a vida.

Somos convocados a mergulhar no mistério da Santíssima Trindade e, a partir de Jesus Cristo, conhecendo as marcas de nosso tempo, que nos ajudam a melhor compreender a realidade que nos interpela, assumimos “ser uma Igreja em estado permanente de missão, casa da iniciação à vida cristã, fonte da animação bíblica de toda a vida, comunidade de comunidades, a serviço da vida em todas as suas instâncias” (DGAE, 29).

Síntese dos capítulos 1 e 2 das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015

1. Partir de Jesus Cristo

“Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e seu Reino. Jesus Cristo é nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. Nele, com Ele e a partir d’Ele mergulhamos no mistério trinitário, construindo nossa vida pessoal e comunitária” (DGAE, 4).

“Não há como executar planejamentos pastorais sem antes pararmos e nos colocarmos diante de Jesus Cristo. Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (cf. Mc 8,27-29). O que significa acolhê-lo, segui-lo e anunciá-lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (cf. Lc 24,32), leva-nos a tudo deixar (cf. Lc 5,8-11) e, mesmo diante das nossas limitações e vicissitudes, afirmar um incondicional amor a Ele (cf. Jo 21,9-17)? A paixão por Jesus Cristo leva ao arrependimento, à contrição (cf. Lc 24,47; cf. At 2,36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral” (DGAE, 4).

A Exortação Apostólica Pós-sinodal Verbum Domini proclama, com toda clareza, que Deus nos fala, comunica-se conosco por meio de sua Palavra que é Jesus Cristo, Verbo feito carne. ‘Como nos mostra claramente o Prólogo de João, o Logos indica originariamente o Verbo eterno, ou seja, o filho unigênito, gerado pelo Pai antes de todos os séculos e consubstancial a Ele: o Verbo estava junto de Deus, o Verbo era Deus. Mas este mesmo Verbo – afirma São João – ‘fez-se carne’ (Jo 1,14); por isso Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, é realmente o Verbo de Deus que Se fez consubstancial a nós. Assim a expressão ‘Palavra de Deus’ acaba por indicar aqui a pessoa de Jesus Cristo, Filho eterno do Pai feito homem’ (VD 6, citada em DGAE, 6).

“Jesus Cristo é incessante e eterna entrega, dom de si para o outro. É contínuo convite aos discípulos missionários e, por meio deles, a toda a humanidade para segui-lo, em meio às diferenças e desencontros. O encontro com Jesus Cristo é acolhimento da graça do Pai, que, pela força do Espírito, revela o Salvador e atua, no coração de cada pessoa, possibilitando-lhe esta resposta” (DGAE, 4).

“As atitudes de alteridade e a gratuidade marcam a vida do discípulo missionário de todos os tempos. Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que, em Jesus Cristo, é meu irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta (cf. NMI, 43). É o reconhecimento que o outro é diferente de mim e esta diferença nos distingue, mas não nos afasta. As diferenças nos atraem e complementam, convidando ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha e ao intercâmbio de vida e a solidariedade” (DGAE, 8).

“Todo relacionamento é, igualmente, chamado a acontecer na gratuidade” (DGAE, 9). Gratuidade significa amar, em Jesus Cristo, o irmão e a irmã, respondendo, através de atitudes fraternas e solidárias a grande questão proposta a Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29), querendo e fazendo bem ao outro sem nada esperar em troca. “Significa cortar a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia” (DGAE, 9). “Gratuidade e alteridade, como expressões do Amor, são fontes de paz, reconciliação e fraternidade” (DGAE, 10).

“Por certo, a ação evangelizadora e pastoral da Igreja trabalha pela reconciliação, o que não significa pactuar com a impunidade, a corrupção e todas as formas de desrespeito aos direitos básicos de toda pessoa. Diante de graves situações que fazem os irmãos sofrerem, o coração do discípulo missionário se enche de compaixão e clama por justiça e paz” (DGAE, 11).

“O discípulo missionário sabe que não exerce esta sublime missão isoladamente. Ao contrário, ele a exerce na Igreja, grande comunidade de todos os discípulos missionários, novo povo de Deus, conclamado para reunir-se na fraternidade, acolher a Palavra, celebrar os sacramentos e sair em missão, no testemunho, na solidariedade e no claro anúncio da pessoa e da mensagem de Jesus Cristo” (DGAE, 13).

Cristo Cabeça remete necessariamente à Igreja Corpo (cf. Cl 1,18). Não há como ser verdadeiro discípulo missionário sem o vínculo efetivo e afetivo com a comunidade dos que descobriram fascínio pelo mesmo Senhor (EN, 16, citada em DGAE, 14).

Viver, pois, o encontro com Jesus Cristo implica necessariamente amor, gratuidade, alteridade, unidade, eclesialidade, fidelidade, perdão e reconciliação. Torna o discípulo missionário firmemente enraizado e edificado em Cristo Jesus (cf. Ef 3,17; Cl 2,7), à semelhança da casa que se constrói sobre a rocha (cf. Mt 7,24-27). Assim, cada discípulo missionário, junto com toda a Igreja, comunidade dos discípulos missionários, torna-se fonte de paz, justiça, concórdia e solidariedade. Significa contemplar Jesus Cristo em constante atitude de saída de si, de desprendimento e esvaziamento (DGAE, 16).

2. Marcas de nosso tempo

“O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento” (DGAE, 17). “O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres” (DGAE, 18).

A Conferência de Aparecida nos diz que vivemos um tempo de transformações profundas, que afetam não apenas este ou aquele aspecto da realidade, mas a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida (cf. DAp, 33-100). Estamos, na verdade, diante de uma globalização e de transformações que atingem também todos os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudanças, mas uma mudança de época” (DGAE 2008-2010, 13) (cf. DGAE, 19).

“Duas atitudes são preocupantes: o agudo relativismo, próprio de quem, não devidamente enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas, e os fundamentalismos, que, fechando-se em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Essas duas atitudes desdobram-se em outras como, por exemplo, o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho; a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo e um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo” (DGAE, 20).

“Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade (…). Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis” (DAp, 65 e 402) (DGAE, 21).

“Desta forma, se compromete o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos” (DGAE, 21).

“O discípulo missionário deve reagir em defesa e promoção da vida, negada ou ameaçada por várias formas de banalização e desrespeito: manipulação de embriões, homicídios, prática do aborto provocado, ausência de condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde, trabalho, moradia, ausência de efetiva proteção à vida e à família, às crianças e idosos e jovens despreparados sem oportunidade para ocupação profissional” (cf. DGAE, 21).

“Outro fator que nos preocupa é a prática religiosa ligada ao emocionalismo e ao sentimentalismo. A busca da própria satisfação, prescindindo do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares” (DGAE, 22).

Prioridade do Regional. “Renovação Paroquial: por uma paróquia discípula, missionária e profética”

O Regional Sul II, para concretizar o objetivo geral da CNBB que “é Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo”, optou pela renovação paroquial como prioridade.

No processo da renovação paroquial tendo em vista a ação missionária somos conclamados a criar uma rede de comunidades em todo o Paraná, que sejam casa e escola de comunhão, anunciadoras da boa nova e promotoras da justiça e da solidariedade.

Perspectivas de Ação

“Quando a realidade se transforma, devem, igualmente se transformar os caminhos pelos quais passa a ação evangelizadora” (DGAE, 25). “Esta é a razão pela qual a Conferência de Aparecida nos convoca a ultrapassar uma pastoral de mera conservação ou manutenção para assumir uma pastoral decididamente missionária, numa atitude que, corajosa e profeticamente, chamou de conversão pastoral” (DAp, 370) (DGAE, 26).

1. Paróquia em permanente estado de missão

“A Igreja é indispensavelmente missionária” (DAp, 347). Existe para anunciar, por gestos e palavras, a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo. “Fechar-se à dimensão missionária implica fechar-se ao Espírito Santo, sempre presente, atuante, impulsionador e defensor” (Jo 14, 16; Mt 10, 19-20) (DGAE, 30).

“No atual período da história, marcado pela mudança de época, a missão assume um rosto próprio, com pelo menos três características: urgência, amplitude e inclusão. A missão é urgente em decorrência da oscilação de critérios. É ampla e includente porque reconhece que todas as situações, tempos e locais são seus interlocutores (…). Trata-se, portanto, de suscitar em cada batizado e em cada forma de organização eclesial uma forte consciência missionária capaz de interpelar o discípulo missionário a ‘sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo’” (DAp, 548) (DGAE, 31).

“É urgente pensar em estruturas pastorais que favoreçam a realização da atual consciência missionária. Esta ‘deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais’ a ponto de deixar para trás práticas, costumes e estruturas que, ao corresponderem a outros momentos históricos, ‘já não têm atualmente grandes condições –, como lembra Aparecida –, de favorecer a transmissão da fé’” (DAp, 365) (DGAE, 34).

“Surgem, deste modo, imperativos que colocam a Igreja em permanente estado de missão (DAp, 551). Não se trata, portanto, de conceber a atitude missionária ao lado de outros serviços ou atividades, mas de dar a tudo que se faz um sentido missionário, estabelecendo, neste conjunto de atividades desenvolvidas, algumas urgências que ajudem todos os batizados a efetivamente se reconhecerem como missionários” (DGAE, 35).

A comunidade cristã precisa ser ela mesma anúncio, pois o mensageiro é também Mensagem. Merecem atenção especial no anúncio da boa nova os grupos que tem poucos vínculos com a Igreja. “Às vezes são jovens; outras vezes, pessoas vivendo na periferia de nossas cidades, intelectuais, artistas, políticos, formadores de opinião, trabalhadores com grande mobilidade, nômades, etc.” (DGAE, 78). “Também merecem atenção especial os povos indígenas e os afro-brasileiros, na perspectiva da evangelização inculturada” (cf. DGAE, 79).

“Contradiz profundamente a dinâmica do Reino de Deus e de uma Igreja em estado permanente de missão, a existência de comunidades cristãs fechadas em torno de si mesmas, sem relacionamento com a sociedade em geral, com as culturas, com os demais irmãos que também crêem em Jesus Cristo e com as outras religiões. Inclusive eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas que o Brasil vai sediar nos próximos anos, podem ser momentos de evangelização, especialmente da juventude” (DGAE, 80).

“Um dos primeiros desafios é o ecumenismo, a unidade com os irmãos e irmãs que crêem em Jesus Cristo” (DGAE, 82). “Um segundo desafio é o diálogo inter-religioso, o encontro fraterno e respeitoso com os seguidores de religiões não-cristãs e com todas as pessoas empenhadas na busca da justiça e na construção da fraternidade universal” (DGAE, 83).

“Uma Igreja em estado permanente de missão nos interpela, finalmente, à missão ad gentes, dando ‘de nossa pobreza’, em outras regiões e além fronteiras” (DGAE, 84).

Pistas de ação:

1. Priorizar na realização da missão permanente, os pequenos grupos, dentre eles os grupos bíblicos e grupos de família.

2. Preparar e capacitar as lideranças para a missão. Proporcionar motivação e formação missionária ad gentes aos padres, aos seminaristas e leigos, a fim de que se disponham com facilidade para as missões nas igrejas-irmãs, especialmente na Amazônia e na África.

3. A paróquia deve favorecer o acolhimento das pessoas sejam nas celebrações litúrgicas, nas comunidades, nas secretarias paroquiais, nas horas de sofrimento e de dor e em todos os momentos procurando estabelecer horários compatíveis com todos.

4. Missionarizar todas as atividades da paróquia, priorizando as áreas afastadas e os afastados. Atingir os indígenas, os encarcerados, hospitais, ciganos e outros.

5. Articular Fomentar o trabalho com a juventude em âmbito de diocese e paróquia;

2. Paróquia, casa da iniciação à vida cristã

“A fé é dom de Deus! ‘Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva’ (DAp, 12, 243, 244). Esse encontro, por sua vez, é mediado pela ação da Igreja” (DGAE, 37).

“Cresce o incentivo à Iniciação à vida cristã, ‘grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã’ (DAp, 287). Trata-se, portanto, de ‘desenvolver, em nossas comunidades, um processo de iniciação à vida cristã que conduza a um encontro pessoal, cada vez maior com Jesus Cristo’ (DAp, 289). É preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo” (DGAE, 40).

“A iniciação cristã não se esgota na preparação aos sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia. Ela se refere à adesão a Jesus Cristo. Esta adesão deve ser feita uma primeira vez, mas refeita, fortalecida e ratificada tantas vezes quantas o cotidiano exigir” (DAp, 288) (DGAE, 41).

 “Nos dias atuais, a catequese de inspiração catecumenal (DAp, 294), que equivale ao processo de iniciação cristã, adquire grande importância, não limitada a crianças” (DGAE, 85).

“É necessário desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã, que conduza ao encontro pessoal com Jesus Cristo’ (DAp, 289) (DGAE, 86).

“No processo de iniciação cristã, portanto, é preciso dar grande valor à relação inter-pessoal, no seio de uma comunidade eclesial. As pessoas não buscam em primeiro lugar as doutrinas, mas o encontro pessoal, o relacionamento solidário e fraterno, a acolhida, vivência implícita do próprio Evangelho” (DGAE, 89).

“A comunidade eclesial é o lugar de educação na fé (DAp, 276) para as crianças, adolescentes e jovens batizados, em um processo que as leve a completar sua iniciação cristã. A formação dos discípulos missionários, precisa articular fé e vida e integrar cinco aspectos fundamentais: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o discipulado, a comunhão e a missão” (cf. DAp, 278) (DGAE, 91).

Pistas de ação:

1. Adaptar a catequese com crianças e adolescentes ao processo de iniciação cristã, fazendo com que a inspiração iniciática e catecumenal seja mais forte que a sacramentalista.

2. Incentivar a comunidade para que seja o espaço da iniciação cristã, envolvendo a fé e integrando o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o discipulado, a comunhão e a missão.

3. Investir na formação de lideranças, principalmente os introdutores no anúncio da doutrina cristã e na formação continuada.

4. Favorecer o encontro pessoal com Jesus Cristo, atingindo a todos, crianças, adolescentes, jovens e adultos.

5. Desenvolver um itinerário de catequese permanente, envolvendo as diversas linhas de pastoral, a partir do kerigma.

3. Paróquia, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral

“Vinculado com a iniciação à vida cristã, o atual momento da ação evangelizadora convida o discípulo missionário a redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Jesus Cristo” (DAp, 247-249)

“É, pois, no contato eclesial com a Palavra de Deus que o discípulo missionário, permanecendo fiel, vai encontrar forças para atravessar um período histórico de pluralismo e grandes incertezas” (DGAE, 47).

“A animação bíblica de toda a pastoral quer nos conduzir a uma iluminação bíblica de toda a vida, porque é um caminho de conhecimento e interpretação da Palavra, um caminho de comunhão e oração com a Palavra e um caminho de evangelização e proclamação da Palavra. O contato interpretativo, orante e vivencial com a Palavra de Deus não forma necessariamente doutores; forma santos” (VD 49; 77) (cf. DGAE, 53).

 “A Igreja no Brasil quer investir cada vez mais na formação de todos os católicos para que, nas mais diversas formas de seguimento e missão, sejam agentes deste contato vivo, apaixonado e comprometido com a Palavra de Deus” (DGAE, 92).

“A Bíblia deve estar nas mãos de todos e todos devem ser ajudados a ler corretamente a Escritura. O encontro com a Palavra viva exige a experiência de fé. Para isso, o católico precisa ser devidamente capacitado tanto no conteúdo bíblico quanto na pedagogia para iniciar e manter contato permanente com a Escritura. Trata-se, portanto, de incrementar a animação bíblica de toda a pastoral e incentivar a Leitura Orante como caminho para o Encontro com a Palavra de Deus” (DGAE, 93).

Pistas de ação:

1. Possibilitar o acesso à Bíblia a todos com a devida formação bíblica, levando a uma maior familiaridade com a Palavra de Deus em nível pessoal e comunitário.

2. Capacitar leigos e leigas para exercer o ministério da Palavra, para que as comunidades sejam alimentadas e formadas pela Palavra de Deus.

3. Privilegiar o método da Leitura Orante com seus 4 passos: leitura, meditação, oração e contemplação.

4. Incrementar a animação bíblica em todas as pastorais, movimentos e serviços;

5. Melhorar a qualidade das homilias nas celebrações eucarísticas.

4. Paróquia, comunidade de comunidades

“O discípulo missionário de Jesus Cristo faz parte do Povo de Deus (cf. 1Pd 2, 9-10; LG, 9) e necessariamente vive sua fé em comunidade (…), que o acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta” (DGAE, 56).

“Comunidade implica necessariamente convívio, vínculos profundos, afetividade, interesses comuns, estabilidade e solidariedade nos sonhos, nas alegrias e nas dores” (DGAE, 59).

“Num mundo plural, não se pode querer um único modo de ser comunidade (…). A comunidade eclesial deve abrir-se para acolher dinamicamente os vários carismas, serviços e ministérios. De cada uma dessas comunidades, exige-se que sejam alicerçadas na Palavra de Deus, celebrem e vivam os sacramentos, manifestem seu compromisso evangelizador e missionário, principalmente com os afastados, sejam solidárias com os mais pobres” (DAp, 179) (DGAE, 61).

 “As paróquias têm um papel importante na vivência da fé. Para a maioria de nossos fiéis, é o único espaço de inserção na Igreja (…). Por isso, independente das inúmeras dificuldades, é urgente que a paróquia se torne, cada vez mais, comunidade de comunidades vivas e dinâmicas de discípulos missionários de Jesus Cristo” (DGAE, 99).

“Como afirma o Documento de Aparecida, as paróquias são ‘células vivas da Igreja e lugar privilegiado no qual a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial’ (DAp, 170) mas, precisam de renovação e ‘reformulação de suas estruturas, para que sejam rede de comunidades e grupos’, capazes de propiciar a seus membros uma real experiência ‘de discípulos e missionários de Jesus Cristo, em comunhão’” (DAp, 172-173) (DGAE, 100).

“Entre as formas de renovação da paróquia está a urgência de sua ‘setorização em unidades territoriais menores, com equipes próprias de animação e de coordenação que permitam maior proximidade com as pessoas e grupos que vivem na região’” (DAp, 372; SD, 58) (DGAE, 101).

“Sabemos que nem sempre é fácil passar de uma paróquia centralizada num único prédio, onde acontecem todas as atividades, a uma paróquia comunidade de comunidades espalhadas por todo seu território. Importa, porém, investir na descentralização, seja iniciando experiências significativas, seja reconhecendo, no dia-a-dia das comunidades, o que já existe” (DGAE, 101).

“Fruto de longa experiência em muitas regiões do Brasil, destacam-se as CEBs, forma privilegiada de vivência comunitária da fé, inseridas no seio da sociedade em perspectiva profética” (DGAE, 102).

“Junto com as CEBs, existem outras formas válidas de pequenas comunidades, e inclusive redes de comunidades, de movimentos, de grupos de vida, de oração e de reflexão da Palavra de Deus” (DAp, 180 citado em DGAE, 103).

“Para uma Igreja comunidade de comunidades, é imprescindível o empenho por uma efetiva participação de todos nos destinos da comunidade, pela diversidade de carismas, serviços e ministérios” (DAp, 162). Para isso, faz-se necessário promover:

a) A diversidade ministerial, na qual todos, trabalhando em comunhão, manifestam a única Igreja de Cristo, sejam eles leigos e leigas e ministros ordenados (…).

b) A formação e funcionamento de comissões, assembleias pastorais e de conselhos, tanto no âmbito pastoral como no âmbito econômico-administrativo (…).

c) “A articulação das ações evangelizadoras, através da pastoral orgânica e de conjunto, evitando não apenas o contratestemunho da divisão, como a competição entre grupos” (DGAE, 104).

“A efetivação de uma Igreja comunidade de comunidades com espírito missionário, manifesta-se também na bela experiência das paróquias-irmãs, dentro e fora da diocese, análoga ao projeto Igrejas-irmãs” (DGAE, 105).

Pistas de ação:

1. Assumir com urgência a setorização da Paróquia.

2. Estimular e fortalecer os conselhos das paróquias e comunidades, como um meio de articulação da ação evangelizadora e descentralização burocrática.

3. Estimular o protagonismo dos leigos através da sua participação também no planejamento, nas decisões e na avaliação, e não somente na execução.

4. Fortalecer a Pastoral Familiar como meio de ajudar a família a se tornar a primeira e fundamental experiência de comunidade.

5. Inspirar as comunidades no modelo das CEBs, uma vez que, além de todos os elementos eclesiais, levam ao compromisso social em nome do Evangelho e são expressão visível da opção preferencial pelos pobres;

5. Paróquia, a serviço da vida plena para todos

“A vida é dom de Deus! (…). ‘O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus. Amorosamente acolhido cada dia pela Igreja, há de ser fiel e corajosamente anunciado como Boa Nova aos homens de todos os tempos e culturas’” (EV, 1).

“A Igreja no Brasil sabe que ‘nossos povos não querem andar pelas sombras da morte. Têm sede de vida e felicidade em Cristo’ (DAp, 350). Por isso, proclama com vigor que ‘as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do Pai e desafiam os discípulos missionários a maior compromisso a favor da cultura da vida’” (DAp, 358) (DGAE, 66).

“Os pobres e excluídos são sujeitos da evangelização e da promoção humana integral (DAp, 397-398). Em tudo isso, a Igreja reconhece a importância da atuação no mundo da política e, por isso, incentiva os leigos e leigas à participação ativa e efetiva nos diversos setores diretamente voltados para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário” (DGAE, 71).

 ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância’ (Jo 10,10) resume a missão de Jesus e, por extensão, também a missão da Igreja. Isso exige de todo cristão assumir atitudes, (cf. DAp, 436), não apenas ao que se refere ao anúncio do imprescindível valor da vida, mas também através de práticas que ajudem a vida a desabrochar e florescer, em toda a sua plenitude. Em meio a um mundo marcado por tantos sinais de morte e inúmeras formas de exclusão, ‘a Igreja, em todos os seus grupos, movimentos e associações, animados por uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral’ (DAp, 401), “tem a importante missão de defender, cuidar e promover a vida, em todas as suas expressões” (DAp, 402) (DGAE, 106).

“O serviço à vida começa pelo respeito à dignidade da pessoa humana, através de iniciativas como: a) defender e promover a dignidade da vida humana em todas as etapas da existência, desde a fecundação até a morte natural; b) tratar o ser humano como fim e não como meio, respeitando-o em tudo que lhe é próprio: corpo, espírito e liberdade; c) tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, recuperando a vida e a liberdade de cada pessoa, tendo presente as condições materiais, contextos históricos, sociais e culturais em que cada pessoa vive” (DGAE, 107).

Um olhar especial merece a família, patrimônio da humanidade e, nela, as crianças, adolescentes e jovens.

Atenção especial aos trabalhadores e das trabalhadoras, os migrantes, respeito às diferenças, combatendo o preconceito e a discriminação nas mais diversas esferas, a preservação da natureza e o cuidado com a ecologia humana. Incentivo à participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, promovendo-se a formação permanente e ações concretas. Incentive-se a participação, ativa e consciente, nos Conselhos de Direitos e na busca de políticas públicas que ofereçam as condições necessárias ao bem-estar de pessoas, famílias e povos. Urge uma presença mais efetiva da Igreja em regiões suburbanas, especialmente nas favelas. Especial atenção precisa ser dada à pastoral carcerária, pois ela é uma mediação importante para uma presença eficaz da Igreja junto à numerosa população reclusa em condições desumanas (Síntese das DGAE, 110-116).

Tarefa de grande importância é a formação de pensadores e pessoas que estejam em níveis de decisão, evangelizando, com especial atenção e empenho, os ‘novos areópagos’ (DAp, 491): o mundo universitário, o mundo da comunicação, presença pastoral junto aos empresários, aos políticos, aos formadores de opinião no mundo do trabalho, dirigentes sindicais e comunitários e o mundo da cultura. Importante para tudo isso é um bom conhecimento da Doutrina social da Igreja (Síntese das DGAE, 117-120).

Pistas de ação:

1. Defender e promover a dignidade da vida humana, desde a fecundação até a morte natural. Ênfases: meio ambiente, dependentes, vítimas da violência, prostituição e marginalização.

2. Fortalecer na paróquia e comunidades as pastorais sociais e atividades ligadas à Cáritas.

3. Incentivar a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis, instituições, conselhos municipais e estaduais.

4. Estimular lideranças das comunidades para que conheçam a Doutrina Social da Igreja.

5. Ter uma pastoral social estruturada, orgânica e integral, tanto em nível diocesano quanto paroquial, dotada de recursos humanos e materiais suficientes.

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