Diocese de Ponta Grossa: ‘Grito dos Excluídos’ lembra direitos e democracia

Neste sábado (2), a partir das 9 horas, cerca de 200 pessoas são esperadas no 23º Grito dos Excluídos, que terá sua concentração na Praça Marechal Floriano Peixoto, em frente à Catedral Sant’Ana, em Ponta Grossa. Na programação, roda de conversa, a partir da leitura do Evangelho e reflexão da realidade dos marginalizados, e, café solidário. O lema deste ano do Grito, realizado em todo o Brasil há 23 anos, é ‘por direitos e democracia, a luta é todo o dia! Vida em primeiro lugar’.

A mobilização se realiza sempre durante a Semana da Pátria, e tem como ponto máximo as manifestações populares do dia sete de setembro, data em que se celebra a independência do Brasil. “Neste sentido, o Grito é um momento e espaço para que o povo possa questionar que tipo de independência temos e exigir mudanças para o país”, afirma dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário, ressaltando que, diante de tantos acontecimentos na atual política do país, é mais que necessária a organização de rodas de conversas e participação em seminários sobre a temática do Grito deste ano. Na Diocese de Ponta Grossa, o Grito dos Excluídos é organizado pela Cáritas em parceria com a Pastoral Operária no Mundo do Trabalho.

“Ano passado, durante o desfile da independência, foram coletadas assinaturas para um projeto de iniciativa popular para a redução dos salários do prefeito e vice, secretários e vereadores. Apesar da ótima adesão, o projeto não chegou a ser protocolado na Câmara Municipal por falta de interesse dos parlamentares, conta a coordenadora da Pastoral Operária, Karin Comerlatto da Rosa. O evento é aberto, qualquer pessoa pode participar.

Origem

O Grito dos/as Excluídos/as nasceu da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e os excluídos” e que tinha por lema “Eras tu, Senhor?” Desde aí, a cada ano, na Semana da Pátria, por todo o Brasil, setores ligados às pastorais sociais da Igreja Católica, outras igrejas irmãs, movimentos sociais, sindicatos e várias organizações da sociedade civil organizada vem articulando e realizando o Grito dos/as Excluídos/as.

“Como dito por dom Guilherme Antônio Werlang, (da Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB) vivemos tempos difíceis. Os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. O ajuste fiscal, as reformas trabalhista e da previdência estão retirando direitos dos trabalhadores para favorecer os interesses do mercado. O próprio sistema democrático está em crise, distante da realidade vivida pela população”, avalia dom Roque Paloschi. “Não podemos esquecer que, nas cidades, a cada dia cresce o número de desempregados/as e que, no campo, também cresce a violência contra camponeses/as que lutam por reforma agrária, bem como contra os povos indígenas que buscam a demarcação de seus territórios”.

De acordo com o bispo, o Grito dos/as Excluídos/as não deve se limitar ao ato público no dia 7 de Setembro. Deve ser um momento de diálogo e reflexão sobre as várias faces da exclusão na nossa sociedade. Para tanto, devemos realizar, no seio da Igreja e nos mais variados espaços da sociedade, atividades (rodas de conversas, palestras, seminários) para promover esse diálogo e reflexão em torno dos eixos temáticos propostos pelo Grito. “Por isso, solicito a todos/as os/as irmãos/ãs, de dentro e de fora da Igreja, o efetivo apoio à mobilização. Tenhamos em vista a Encíclica Pacem in Terris, do Papa João XXIII: pois, quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular dos direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão de sua dignidade, nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos”.

 

Cláudia Carneiro – Diocese de Ponta Grossa

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